Café interrompido por duas semanas altera microbiota e memória, aponta estudo
Estudo irlandês mostra que parar de tomar café por 14 dias altera bactérias intestinais e prejudica memória.
Um estudo conduzido pelo centro APC Microbiome Ireland, na Irlanda, revelou que o café pode agir diretamente no eixo intestino – cérebro, trazendo benefícios para a memória e o humor. Durante duas semanas, 31 consumidores regulares da bebida interromperam totalmente o consumo diário.
Os cientistas monitoraram amostras biológicas dos voluntários e observaram alterações nos metabólitos e nas bactérias intestinais, como a Eggerthella sp.
A pesquisa mostrou que a interrupção do café provoca mudanças significativas na microbiota intestinal. Quando a bebida foi reintroduzida, os efeitos positivos voltaram a aparecer. O estudo foi publicado em meio a um crescente interesse científico sobre como os alimentos influenciam a saúde mental por meio da comunicação entre o intestino e o cérebro.
Efeitos da cafeína e do descafeinado
Após o período de abstinência, o café foi reintroduzido sem que os voluntários soubessem qual versão estavam recebendo. O resultado surpreendeu os pesquisadores: o café comum proporcionou uma melhora exclusiva na aprendizagem e na memória. Esse efeito foi atribuído a compostos antioxidantes presentes na bebida, como os polifenóis.
Já a versão com cafeína, por outro lado, reduziu sentimentos de cansaço e fadiga entre os participantes. A descoberta indica que diferentes componentes do café atuam de maneiras distintas no organismo. Enquanto os polifenóis parecem beneficiar funções cognitivas superiores, a cafeína age mais diretamente sobre o estado de alerta e a energia.
Mudanças no humor e bem – estar emocional
Ambas as versões da bebida — com e sem cafeína — reduziram os índices de ansiedade, depressão e impulsividade entre os voluntários. O achado reforça a tese de que os benefícios emocionais do café não dependem exclusivamente da cafeína, mas sim da interação complexa de seus compostos com a microbiota intestinal.
Segundo os autores do estudo, a pesquisa comprova que o café atua como um modulador do eixo intestino – cérebro. As bactérias intestinais, como a Eggerthella sp., parecem responder diretamente aos compostos da bebida, influenciando processos químicos que afetam o humor e a cognição.
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O trabalho abre caminho para novas investigações sobre como alimentos funcionais podem ser usados no tratamento de transtornos mentais.
O centro APC Microbiome Ireland, responsável pelo estudo, é uma referência mundial em pesquisas sobre a microbiota humana. A equipe de cientistas planeja agora ampliar o experimento para um número maior de participantes, incluindo pessoas com diferentes hábitos alimentares e condições de saúde.
A expectativa é que os resultados ajudem a desenvolver recomendações mais precisas sobre o consumo de café para a saúde do cérebro.