Café interrompido por duas semanas altera microbiota e memória, aponta estudo

Estudo irlandês mostra que parar de tomar café por 14 dias altera bactérias intestinais e prejudica memória.

04/10/2026 09:11

3 min

Cheiro de café recém-passado pode despertar uma reação no organismo que mexe com o humor antes mesmo do primeiro gole; entenda
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Um estudo conduzido pelo centro APC Microbiome Ireland, na Irlanda, revelou que o café pode agir diretamente no eixo intestino – cérebro, trazendo benefícios para a memória e o humor. Durante duas semanas, 31 consumidores regulares da bebida interromperam totalmente o consumo diário.

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Os cientistas monitoraram amostras biológicas dos voluntários e observaram alterações nos metabólitos e nas bactérias intestinais, como a Eggerthella sp.

A pesquisa mostrou que a interrupção do café provoca mudanças significativas na microbiota intestinal. Quando a bebida foi reintroduzida, os efeitos positivos voltaram a aparecer. O estudo foi publicado em meio a um crescente interesse científico sobre como os alimentos influenciam a saúde mental por meio da comunicação entre o intestino e o cérebro.

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Efeitos da cafeína e do descafeinado

Após o período de abstinência, o café foi reintroduzido sem que os voluntários soubessem qual versão estavam recebendo. O resultado surpreendeu os pesquisadores: o café comum proporcionou uma melhora exclusiva na aprendizagem e na memória. Esse efeito foi atribuído a compostos antioxidantes presentes na bebida, como os polifenóis.

Já a versão com cafeína, por outro lado, reduziu sentimentos de cansaço e fadiga entre os participantes. A descoberta indica que diferentes componentes do café atuam de maneiras distintas no organismo. Enquanto os polifenóis parecem beneficiar funções cognitivas superiores, a cafeína age mais diretamente sobre o estado de alerta e a energia.

Mudanças no humor e bem – estar emocional

Ambas as versões da bebida — com e sem cafeína — reduziram os índices de ansiedade, depressão e impulsividade entre os voluntários. O achado reforça a tese de que os benefícios emocionais do café não dependem exclusivamente da cafeína, mas sim da interação complexa de seus compostos com a microbiota intestinal.

Segundo os autores do estudo, a pesquisa comprova que o café atua como um modulador do eixo intestino – cérebro. As bactérias intestinais, como a Eggerthella sp., parecem responder diretamente aos compostos da bebida, influenciando processos químicos que afetam o humor e a cognição.

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O trabalho abre caminho para novas investigações sobre como alimentos funcionais podem ser usados no tratamento de transtornos mentais.

O centro APC Microbiome Ireland, responsável pelo estudo, é uma referência mundial em pesquisas sobre a microbiota humana. A equipe de cientistas planeja agora ampliar o experimento para um número maior de participantes, incluindo pessoas com diferentes hábitos alimentares e condições de saúde.

A expectativa é que os resultados ajudem a desenvolver recomendações mais precisas sobre o consumo de café para a saúde do cérebro.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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