C&A vê menos faltas com a escala 5×2, mas esbarra no domingo, dia mais difícil de cobrir

Com o fim da escala 6×1 previsto para 16 de dezembro, a varejista testa a jornada em 60 lojas e aposta em produtividade para compensar o aumento de custos.

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Fachada C&A | CEAB3 | C&A | Foto: Reprodução/Exame

A varejista C&A já testa a jornada 5×2 em 60 lojas, a pouco mais de um mês da entrada em vigor do fim da escala 6×1 no Brasil, marcada para 16 de dezembro. Segundo o CEO Paulo Correa, o projeto reduziu o absenteísmo, mas criou um desafio para manter o atendimento aos domingos.

Em entrevista à EXAME, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, o executivo afirmou: “Estamos testando em 60 lojas e já vimos o absenteísmo cair”. Ele não abriu os números do projeto nem detalhou o impacto financeiro da mudança.

Empresa mira produtividade para compensar custos

Correa disse que a companhia atua em duas frentes para absorver o possível aumento de custos provocado pela redução da jornada de 44 para 40 horas por semana, sem corte salarial. A primeira é diminuir o absenteísmo, índice de faltas dos funcionários.

A segunda é elevar a produtividade das equipes.

Para isso, a varejista implantou uma ferramenta de planejamento de horas e tarefas, que simula a distribuição do tempo dos funcionários ao longo do dia. O executivo citou como exemplo uma eventual redução de 10% no número de horas trabalhadas: mantidas as demais condições, o custo de pessoal poderia subir na mesma proporção.

“Se eu mantiver apenas as atividades que realizo hoje, esse será o potencial de aumento de custos com a mudança da jornada de 48 para 40 horas. A redução desse impacto dependerá da capacidade de elevar a produtividade e reduzir o absenteísmo”, afirmou.

A companhia, portanto, ainda precisa encontrar formas de neutralizar esse efeito.

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Domingo é o dia mais difícil de cobrir na escala 5×2

É nos domingos que a conta fica mais complicada. Correa afirmou que o dia ganhou peso para o varejo, puxado pelo aumento do fluxo nos shopping centers, onde as famílias buscam lazer e alimentação.

A proposta prevê dois dias de descanso semanal, com uma das folgas preferencialmente aos domingos. Na prática, a organização das folgas pode reduzir o número de funcionários justamente nesse período, o que exige reorganizar as equipes sem comprometer a experiência de compra.

“Por conta da escala 5×2, o domingo é onde é mais impactado. Vem cada vez mais fluxo e você tem um número de pessoas menor, então tem que melhorar a produtividade. Não tem jeito. Senão, você tem um impacto muito grande, não só de custos, mas de perda de venda”, afirmou o CEO.

A questão pesa ainda mais na reta final do ano, quando o movimento nas lojas costuma se intensificar. Dezembro, com o Natal, concentra um período importante para o varejo de vestuário.

Caixas de autoatendimento entram na estratégia

Uma das apostas da C&A para reduzir a dependência de funcionários em determinadas etapas da operação é ampliar a adoção dos caixas de autoatendimento, os chamados self-checkouts. O sistema permite que o próprio cliente registre e pague suas compras, o que diminui a necessidade de atendimento individual no caixa.

“Isso acaba também aumentando a produtividade, porque o próprio consumidor vai lá e se resolve. Não precisa depender de alguém atendendo para passar a compra dele no caixa”, disse Correa.

O executivo afirmou que os testes têm ajudado a companhia a identificar oportunidades para reorganizar as operações e minimizar os efeitos da mudança. “Estamos tentando reorganizar as operações para garantir o mínimo impacto possível para o consumidor e, obviamente, o mínimo impacto possível para o acionista da companhia”, concluiu.

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