Brasil registra recorde de apreensão de emagrecedores na fronteira com Paraguai em 2026

As apreensões de canetas, seringas e frascos com semaglutida e tirzepatida na fronteira do Brasil com o Paraguai dispararam. Dados da Receita Federal mostram que, no primeiro semestre de 2026, mais de 76 mil unidades foram confiscadas em Foz do Iguaçu, no Paraná.
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Em comparação, em 2025, essa cifra foi de apenas 24 mil medicamentos.
A Receita Federal relata que as rotas ilegais utilizadas por contrabandistas incluem barcos que atravessam o Rio Paraná. Contudo, a ponte que conecta Brasil e Paraguai tem sido o principal ponto de apreensão. A estimativa é de que diariamente mais de 100 mil pessoas e 45 mil veículos cruzem a ponte.
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Modus operandi dos contrabandistas
Para driblar as autoridades, os traficantes têm demonstrado criatividade ao esconder os medicamentos. Já foram registrados casos de apreensão dentro de frascos de shampoo, embalagens de gel de massagem e até mesmo nos solados de tênis. Além disso, a Receita Federal também encontrou produtos em espaços vazios na carroceria de veículos.
O apetite do público por esses medicamentos é evidente. Um levantamento da Serasa Experian revelou um aumento expressivo nos pedidos online para medicamentos associados ao GLP-1, conhecidos por suas propriedades emagrecedoras. No primeiro semestre de 2026, as solicitações saltaram para 1.364.354, totalizando mais de R 2,3 bilhões em vendas.
Esse número representa um crescimento impressionante de 149,3% em relação ao semestre anterior.
Aumento da busca por produtos não autorizados
Um estudo intitulado “Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil”, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou que houve um aumento nas buscas por produtos sem registro sanitário no país.
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Entre esses itens estão o TG, Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida.
Cerca de 6,29% a mais de pessoas pesquisaram esses produtos no Google entre maio de 2025 e maio de 2026. O auditor da Receita Federal, Flávio Bernardino de Carvalho, comenta sobre a possibilidade da quebra da patente da tirzepatida no futuro: essa mudança poderia diminuir o interesse pelo produto vindo do Paraguai, semelhante ao que ocorreu com a semaglutida em 2025.
Consequências legais do contrabando
A venda desses medicamentos não autorizados é considerada um crime contra a saúde pública no Brasil. De acordo com o artigo 273 do Código Penal, as penas podem variar entre reclusão de 10 a 15 anos e multas significativas.
Com o aumento das apreensões e das buscas por medicamentos não regulamentados, as autoridades permanecem atentas às práticas ilegais na fronteira brasileira.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



