Boulos diz que governo quer aprovar fim da escala 6×1 ainda em 2026

A proposta prevê jornada de 40 horas e dois dias de folga, sem corte de salário.

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Foto: Reprodução

Governo quer aprovar redução da jornada em 2026

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), disse nesta terça-feira (17) que o governo vai intensificar os esforços para aprovar a redução da jornada de trabalho ainda neste ano.

A proposta, que ganhou destaque em uma entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, visa estabelecer uma semana de trabalho com até 40 horas, garantindo dois dias de folga e a manutenção dos salários. Boulos chamou a iniciativa de “projeto da família brasileira”, por aumentar o tempo de convívio dos trabalhadores com os familiares.

Desgaste do trabalhador

Boulos argumentou que a mudança é uma resposta ao crescente desgaste enfrentado pelos trabalhadores brasileiros. Ele questionou a viabilidade de um trabalhador que passa seis dias da semana trabalhando, com apenas um dia livre, e destacou o aumento de afastamentos por burnout.

O ministro ressaltou que a situação atual, com a manutenção da jornada de 6 X 1 desde 1988, não se alinha com os avanços tecnológicos e o aumento da produtividade. “Você teve tantos avanços tecnológicos e na produtividade. Por que o trabalhador ainda precisa trabalhar ao mesmo tempo?”, indagou.

Resistência empresarial

Durante a entrevista, Boulos criticou a resistência de empresários e grupos com influência no Congresso à proposta. Ele acusou esses setores de tentar impedir a votação, utilizando uma estratégia que ele descreveu como “operação em curso”.

Segundo o ministro, se o Congresso demorar, o presidente Lula poderá enviar um projeto com urgência constitucional prevendo o fim da escala 6×1, a adoção da 5×2 e a redução da jornada de 44 para 40 horas, sem corte de salários.

Viabilidade e reação do setor produtivo

Em resposta a críticas do setor produtivo, Boulos defendeu a viabilidade da mudança, argumentando que trabalhadores descansados são mais produtivos. Ele também esclareceu que a alteração não impede o funcionamento de atividades aos fins de semana, exigindo apenas a reorganização das escalas de trabalho.

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Um levantamento recente indicou que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6 X 1. O ministro também abordou a questão da regulamentação do trabalho por aplicativos, defendendo a limitação da retenção das plataformas a 30% das viagens e o aumento do valor mínimo por entrega.

Outros temas

Boulos enfatizou que o projeto visa garantir “trabalho digno”, considerando que o restante é “mentira”. Ao ligar o fim da escala 6 X 1 ao debate com setores evangélicos, o ministro defendeu que valores cristãos estão associados à solidariedade e ao amor ao próximo.

Em um momento da entrevista, Boulos fez críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), questionando sua credibilidade e histórico, e classificando-o como “mais falsa que nota de 3 reais”.

Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.

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