Biocombustíveis somam R 289 bilhões em investimentos no Brasil
Setor busca ampliar uso de renováveis na aviação e no transporte marítimo, segundo painel do GAFFFF.
O Brasil já acumula R 289 bilhões em investimentos cadastrados em projetos ligados a biocombustíveis e transição energética. O número foi apresentado durante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética”, que aconteceu na terceira edição do GAFFFF, em São Paulo.
O volume de recursos reflete o avanço do setor e a procura por novas aplicações para combustíveis com menor intensidade de carbono, num momento em que a demanda global por energia só cresce. O debate foi moderado por Plínio Nastari, presidente da Datagro, e contou com a participação de Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP); Arnaldo Jardim, deputado federal e presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde; Mário Campos Filho, presidente executivo da SIAMIGBioenergia Brasil; e Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice – presidente do Grupo Potencial.
Oportunidade na integração entre alimentos e energia
Para Arnaldo Jardim, o Brasil pode unir duas de suas principais vocações: a produção de alimentos e a de energia. O deputado afirmou que o biocombustível se tornou um eixo estratégico para a industrialização do país. Ele citou o etanol de milho como um exemplo claro dessa integração.
Dados apresentados durante o painel mostram que cerca de 23% do milho produzido no Brasil já é destinado à fabricação de etanol. Além do combustível, a indústria aproveita coprodutos como o DDGS, usado na alimentação animal. “Não se trata só de um insumo, se trata de algo que pode ser decisivo como uma cadeia de valor para a economia brasileira”, disse Jardim.
Novos horizontes para os biocombustíveis
A expansão do setor já vai além do mercado tradicional de veículos leves. Mário Campos Filho explicou que o segmento busca ampliar o uso de combustíveis renováveis na aviação, no transporte marítimo, em máquinas agrícolas e na indústria. Segundo ele, depois da criação de políticas públicas como o Renova Bio, que possibilitou a contagem de carbono, o setor passou a repensar todo o processo produtivo.
Campos citou um exemplo concreto: um carregamento realizado em julho em um navio de longo curso que utilizou uma mistura com etanol. A iniciativa faz parte da estratégia de mostrar a empresas que buscam reduzir emissões que o Brasil já oferece combustíveis capazes de participar da descarbonização.
O biometano também ganha espaço dentro da cadeia sucroenergética, sendo usado no transporte de açúcar, no deslocamento da cana e em equipamentos agrícolas. “A gente tem muito ainda o que desenvolver”, afirmou.
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Etanol de milho ganha força no Centro – Oeste e Sul
Outro destaque do painel foi o crescimento do etanol de milho no Brasil. Segundo Campos, a produção era praticamente inexistente no país há cerca de uma década e hoje já responde por 30% do etanol brasileiro. Esse avanço deslocou investimentos para novas regiões, especialmente no Centro – Oeste e em estados do Sul.
A expansão da atividade também amplia a integração entre os mercados de energia e alimentos, além de criar novas oportunidades para o aproveitamento de coprodutos industriais.
Evolução energética e o papel do Brasil
Roberto Ardenghy, presidente do IBP, defendeu que a mudança na matriz energética não deve ser vista como uma substituição imediata de fontes. “Mais do que transição energética, é uma evolução energética, onde todas as energias estão entrando na matriz energética mundial”, afirmou.
Para ele, o aumento da demanda mundial exigirá a ampliação da oferta de diferentes fontes nas próximas décadas.
Nesse contexto, o Brasil teria uma posição privilegiada por reunir capacidade de produção de alimentos e energia, além de alternativas para reduzir a intensidade de carbono da economia. Plínio Nastari destacou a construção de mecanismos como o Renova Bio e os Créditos de Descarbonização (CBIOs), que transformaram o indicador de carbono em parte da estratégia de mercado.
O desafio, agora, é equilibrar o crescimento da oferta com a criação de demanda. Para Mário Campos, a abertura de mercados como aviação e transporte marítimo pode ampliar significativamente o consumo. “A gente tem uma oportunidade muito grande nas mãos”, resumiu.