Binance: hackers desviam R$ 34 bilhões em 20 minutos após invadir credenciais de um engenheiro

Segundo Dionisio Chiuratto, a criptografia seguiu intacta: a invasão se apoiou em engenharia social e no acesso de um único profissional autorizado.

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Operadora de criptoativos Binance tem sido fundamental para movimentação de quantias vinculadas, principalmente, à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã | Foto: Getty Images
Operadora de criptoativos Binance tem sido fundamental para movi...
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Um ataque cibernético capaz de desviar cerca de R$ 34 bilhões em vinte minutos não precisou quebrar a criptografia nem comprometer diretamente a tecnologia blockchain. Segundo Dionisio Chiuratto, especialista em sistemas de defesa e inteligência artificial, o alvo foi a corretora de criptomoedas Binance.

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Chiuratto participou do programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, e explicou como os criminosos chegaram aos sistemas da empresa. Na visão dele, o caso mostra que a falha estava nas pessoas, e não na tecnologia de proteção.

Como os criminosos entraram nos sistemas da Binance

De acordo com Chiuratto, o ataque se apoiou em engenharia social, técnica que explora vulnerabilidades humanas para obter acesso a sistemas protegidos. Os criminosos conseguiram comprometer as credenciais de um engenheiro da companhia, e isso abriu caminho para a operação.

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O especialista afirmou que os invasores não romperam os mecanismos criptográficos da corretora. Eles aproveitaram o acesso de um profissional autorizado a operar os sistemas, o que lhes deu as credenciais e permissões necessárias para avançar.

“Não se questiona a capacidade da criptografia continuar forte, na verdade, porque quem quebrou foi uma pessoa, foi engenharia social”, explicou o especialista.

Ele também avaliou que a operação exigiu planejamento e coordenação, e pode ter contado com apoio de ferramentas de inteligência artificial. Ainda assim, lembrou que o sucesso dos invasores dependeu principalmente do comprometimento das credenciais de um único engenheiro.

Por que um único funcionário pode comprometer uma empresa inteira

Para Chiuratto, um dos maiores desafios da segurança cibernética está na quantidade de sistemas e pessoas ligados às estruturas digitais das grandes companhias. As empresas operam com sistemas cada vez mais interconectados, o que amplia as chances de exploração por criminosos.

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Na linguagem da segurança digital, esse conjunto de pontos potencialmente vulneráveis recebe o nome de superfície de ataque. Quanto maior ela fica, mais portas existem para um invasor tentar entrar.

O especialista lembrou que o risco não se limita a funcionários com acesso privilegiado. Um sistema secundário, aparentemente menos importante, também poderia abrir caminho para os atacantes se tivesse uma vulnerabilidade capaz de permitir o avanço.

O que o caso revela sobre empresas menores

Segundo Chiuratto, o episódio coloca em discussão a capacidade das organizações de proteger seus sistemas diante da complexidade crescente das estruturas digitais. Ele destacou que o porte da Binance e sua atuação ligada à tecnologia tornam o problema ainda mais relevante.

O caso também levanta dúvidas sobre empresas menores ou sem a mesma estrutura tecnológica. “Se eu tenho uma empresa grande como a Binance, isso acontece, como é que estão as menores ou como estão as que não são tão tecnológicas?”, questionou o especialista.

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