Banco Central do Paraguai decreta resolução do Ueno Bank e a crise chega ao governo de Peña

Clientes ficaram sem acesso aos depósitos, até US$ 850 milhões em recursos públicos estão no banco e o Ministério Público investiga.

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MUDANÇAS: Palacio de los López, sede do governo: dias de prosperidade | Foto: Getty Images

O Banco Central do Paraguai determinou a resolução do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, e a medida transformou o caso em uma crise financeira e política para o presidente Santiago Peña. A decisão foi tomada na segunda-feira, 2, e anunciada no dia seguinte.

A instituição afirma ter cerca de 3 milhões de clientes.

A intervenção começou depois que o índice de solvência do banco caiu para menos da metade do mínimo exigido pela legislação. Clientes ficaram temporariamente sem acesso aos recursos depositados, enquanto as autoridades passaram a administrar o processo.

Ajustes contábeis levaram à intervenção

Segundo o regulador, o problema apareceu quando as demonstrações financeiras do banco passaram por ajustes durante um processo de regularização. Foi essa revisão que expôs a queda na solvência.

O caso chega em um momento em que o Paraguai busca se firmar como destino de investimentos estrangeiros, inclusive brasileiros. Por outro lado, a crise coloca em xeque a imagem de tributação relativamente baixa, crescimento econômico e estabilidade financeira que o país vinha exibindo a investidores.

Dinheiro público e saída no Banco Central

O Ueno Bank informou manter entre 800 milhões e 850 milhões de dólares em recursos públicos. Desse total, cerca de 380 milhões de dólares estão vinculados ao fundo estatal de previdência e saúde.

A crise também fez Carlos Carvallo deixar a presidência do Banco Central. Além disso, o Ministério Público abriu investigação para apurar suspeitas de irregularidades na administração da instituição.

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Relação do governo com o grupo controlador pesa sobre Peña

A situação é especialmente delicada para Peña. Até março de 2025, o presidente mantinha negócios com o Grupo Vázquez, que controla o Ueno Bank, e a proximidade entre membros do governo e o conglomerado já vinha gerando dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse.

Agora, opositores cobram a apuração da responsabilidade política no episódio.

Quanto do dinheiro dos depositantes está garantido

Para quem tem dinheiro na instituição, a prioridade é reaver os valores. O sistema de garantia paraguaio cobre até 228,3 milhões de guaranis por pessoa, o equivalente a cerca de 38 mil dólares.

Estimativas preliminares indicam que esse limite protegeria integralmente cerca de 97% dos depositantes. O Banco Central anunciou um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis, mas quem tem saldo acima do teto garantido ainda não sabe quando e quanto receberá.

Até o momento, as autoridades não apresentaram evidências de contágio a outros bancos nem de perdas específicas para investidores brasileiros. Ainda assim, o caso representa um teste importante para a capacidade do sistema financeiro paraguaio de manter a confiança do público.

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