Banco Central estuda exigir que bancos avaliem melhor renda e perfil antes de liberar crédito

As propostas do Banco Central podem limitar o crédito conforme a renda e exigir informações mais claras antes da contratação, com anúncio gradual das regras.

3 min

Imagem captada por drone da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília.
Imagem captada por drone da sede do Banco Central do Brasil, em ...
▼

O Banco Central estuda medidas para conter o endividamento das famílias no Brasil, incluindo regras para ampliar a responsabilidade dos bancos na concessão de crédito e facilitar o acesso dos consumidores às informações das operações. Duas fontes que participam das discussões disseram à Reuters que a autarquia também avalia limitar o crédito autorizado por pessoa de acordo com a renda.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As propostas devem ser anunciadas gradualmente. Uma eventual elevação dos requerimentos de capital para instituições financeiras não deve fazer parte da primeira etapa, segundo as fontes, que falaram sob anonimato. O Banco Central afirmou que não comentaria o assunto.

BC avalia critérios para concessão de crédito

Um dos eixos em discussão prevê que os bancos analisem com mais rigor o perfil do cliente antes de aprovar um empréstimo. As instituições também poderiam ter de apresentar, de forma mais simples e transparente, as informações sobre a operação antes da contratação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na revisão de experiências internacionais, o Banco Central debate o modelo de Cingapura, citado por uma das fontes como exemplo bem-sucedido. No país, o crédito sem garantia, incluindo o cartão de crédito, é limitado a dois meses de salário para quem tem renda anual de até 30.000 dólares de Cingapura, valor equivalente a cerca de US$23.400, ou R$119,2 mil.

Para pessoas com renda entre 30.000 e 120.000 dólares de Cingapura, o limite chega a quatro meses de salário. Quem recebe acima desse patamar não tem restrição. O sistema também exige comprovação de renda ou patrimônio para a concessão de cartões de crédito.

Medidas consideram renda e perfil do cliente

As propostas levam em conta dois conceitos usados em mercados mais desenvolvidos: “affordability”, ou capacidade de pagamento, e “suitability”, ou adequação, afirmou a segunda fonte. Na prática, a avaliação consideraria tanto se o cliente consegue pagar as parcelas sem comprometer excessivamente a renda quanto se o crédito corresponde ao perfil e à necessidade dele.

O Banco Central já havia sinalizado que anunciaria medidas para disciplinar a oferta de crédito sem garantia, inclusive por meio de cartões. A discussão ocorre em meio à expansão dos canais bancários digitais, que ampliaram o acesso ao crédito e reduziram custos, mas também aceleraram a oferta, a aprovação e o desembolso de empréstimos.

Leia também

Endividamento pesa nas discussões eleitorais

O endividamento das famílias está entre os temas centrais das discussões eleitorais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, colocou em prática novas rodadas de renegociação e perdão de dívidas de famílias e empreendedores.

Flávio Bolsonaro (PL) prometeu criar um programa de compra de débitos pelo governo e congelar temporariamente as dívidas se vencer as eleições.

Em julho, o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda acumulada nos últimos 12 meses, patamar historicamente alto, segundo dados do BC. O Serasa apontou recorde de 83,9 milhões de consumidores inadimplentes.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!