Austrália reduz vagas e mochileiros precisam disputar sorteio para ficar no país

Mochileiros enfrentam sorteio caro e com apenas 5 mil vagas para estender visto, gerando estresse e alerta entre agricultores.

18/09/2026 06:42

4 min

Ao longo de duas viagens de quatro meses, Lisa Michele Burns dirigiu pela Austrália e documentou suas paisagens variadas em seu novo livro de fotos, “Sightlines”. A coleção destaca os padrões e paletas de sua terra natal
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Mochileiros na Austrália estão vivendo um clima de incerteza e frustração. Desde que o governo australiano anunciou novas regras para os vistos de férias e trabalho, no dia 17 de setembro, a esperança de estender a estadia no país se tornou uma missão quase impossível para muitos estrangeiros.

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A francesa Zoe, de 25 anos, é um exemplo: há meses trabalhando como garçonete para cumprir os 88 dias exigidos por ano, ela agora vê a chance de um terceiro ano na Austrália depender de um sorteio caro e com vagas escassas.

Para tentar ficar por mais 12 meses, Zoe teria que desembolsar centenas de dólares e concorrer a uma das apenas 5.000 autorizações disponíveis. um tombo em relação às 31.000 concedidas anteriormente. “Todo mundo está estressado”, desabafou a francesa, que pediu à CNN para ser identificada apenas pelo primeiro nome. “O clima está pesado.” A preocupação, no entanto, não atinge só os viajantes.

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O setor de turismo e os agricultores também estão em alerta com a possível perda de visitantes e, principalmente, de mão de obra essencial para regiões mais afastadas dos grandes centros.

A dependência dos trabalhadores sazonais

Os agricultores australianos contam com os mochileiros para serviços como colheita de frutas e conserto de cercas. É um trabalho que exige pouco treinamento, mas é vital para o funcionamento de negócios em áreas com pouca densidade populacional. O governo, por outro lado, justifica as mudanças como uma forma de ajustar o fluxo de imigrantes para favorecer profissionais qualificados, como médicos, enfermeiros, engenheiros e agentes de segurança pública.

A ideia é atrair quem, segundo o governo, agrega mais valor à economia do país.

Críticos, no entanto, alertam que o resultado pode ser uma queda brusca no número de trabalhadores regionais. Mochileiros no primeiro ano podem simplesmente desistir de tentar ficar mais tempo, já que o processo se tornou mais burocrático e caro. A tensão no setor não começou com o anúncio de setembro.

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Segundo fontes do turismo, a turbulência vem de dois anos atrás, quando um acordo de livre comércio entre a Austrália e o Reino Unido beneficiou os britânicos com regras mais flexíveis.

Mudanças nos vistos e o impacto nos negócios

O acordo com o Reino Unido permitiu que mochileiros britânicos ficassem dois ou três anos sem precisar cumprir os 88 dias de trabalho regional. Também elevou o limite de idade de 30 para 35 anos. O resultado foi um salto no número de jovens britânicos com vistos de férias – trabalho, que chegou a quase 80.000, mais que o dobro do pico anterior de 35.000.

O ministro do Interior, Tony Burke, chamou o aumento de “desafio” e disse que o tema será discutido com os britânicos de forma “construtiva”.

Enquanto isso, o governo adotou uma estratégia de “aprovação lenta” de vistos, que começou em julho sem aviso prévio. Matthew Heyes, fundador do Backpacker Job Board, afirmou que o site do ministério não foi atualizado e que o prazo de processamento, que era de dois a três dias, passou a levar semanas ou meses. “Estamos vendo mochileiros que solicitaram seus vistos a partir de julho sem terem seus vistos processados até hoje”, disse Heyes.

Burke afirmou que os prazos voltarão ao normal, mas Heyes rebateu que isso não ajuda quem já adiou voos e passeios, nem os empregadores que esperavam contratar trabalhadores para a colheita.

A redução no número de vistos é drástica. Além de cortar as autorizações de terceiro ano para 5.000, o governo também reduziu as de segundo ano de 57.000 para 45.000. A queda total nos dois anos é de 38.000 vagas. O Mahony Group, que administra três pubs e cinco albergues para mochileiros, já sente o baque.

O gerente – geral Max Gibson, que também é vice – presidente do Youth Tourism Victoria, disse que as reservas antecipadas estão 25% abaixo do esperado. “Muitos dos nossos membros disseram o mesmo — os últimos dois meses foram os piores desde a Covid”, afirmou.

Para os mochileiros que já estão no país, a situação é de incerteza. Laura, 28 anos, do norte da França, trabalhou por três meses como faxineira comercial na esperança de conseguir um terceiro ano e, depois, um patrocinador permanente. “Estamos fazendo o que os australianos não querem fazer”, disse ela, pedindo anonimato. “Não é fácil ser mochileiro.

Nossa vida cabe em uma mochila.” Zoe, a francesa, compartilha da mesma angústia. “Eu sabia que valia a pena porque gostaria de conseguir meu terceiro ano sem problemas. Mas agora não tenho mais certeza. Fico me perguntando: para que estou fazendo tudo isso?”

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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