Ativistas da Flotilha Sumud fazem greve de fome e relatam abusos em detenção em Israel
Ativistas da Flotilha Sumud continuam detidos em Israel e relatam abusos
As advogadas de Thiago Ávila e Saif Abukeshek, membros da Flotilha Global Sumud, visitaram nesta semana as celas dos ativistas no centro de detenção de Shikma, em Ashkelon, Israel. A visita ocorreu em meio às preocupações levantadas pela Adalah, organização de direitos humanos, sobre o tratamento que os ativistas estão recebendo.
Ambos estão em seu sexto dia de greve de fome, consumindo apenas água, em protesto contra seu sequestro pela Marinha israelense durante uma missão humanitária para contestar o bloqueio de Gaza.
Segundo informações divulgadas, Thiago Ávila relatou ter sido submetido a interrogatórios extensos, que ultrapassaram oito horas, durante os quais foi ameaçado com violência e a possibilidade de prisão por um longo período. A situação dos ativistas é agravada pelo isolamento total e pelas condições precárias em que estão sendo mantidos.
A Adalah destaca que a iluminação constante e intensa em suas celas tem como objetivo induzir privação de sono e desorientação sensorial, prática conhecida pelo Serviço Prisional Israelense (IPS).
Além disso, Ávila descreveu as temperaturas extremamente baixas em sua cela, e o fato de ter os olhos vendados durante exames médicos, o que a Adalah considera uma grave violação dos princípios éticos da medicina. A organização enfatiza a importância do direito à assistência médica adequada, mesmo em situações de detenção.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) informou que mobilizou sua rede de postos na região para acompanhar a situação e prestar assistência consular aos ativistas brasileiros. Anteriormente, o governo brasileiro havia condenado o sequestro de Ávila e Abukeshek em comunicado conjunto com a Espanha.
A Embaixada do Brasil em Tel Aviv continua a prestar assistência a Ávila, acompanhando as audiências judiciais relacionadas ao caso, com o objetivo de garantir sua liberação e apurar as circunstâncias de sua detenção.
O embaixador Joel Sampaio, da equipe de comunicação do MRE, confirmou que o Itamaraty convocou a encarregada de negócios de Israel para apresentar um protesto formal pela detenção de Thiago Ávila, ressaltando que não há previsão para sua libertação, dependendo do andamento do caso na justiça israelense.
Os advogados da Adalah aguardam a decisão da justiça israelense sobre a prorrogação da detenção, que já havia sido estendida para mais dois dias.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
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