Ataque em Cracóvia deixa 6 mortos e 16 feridos; polícia encontra mais 3 corpos na casa do suspeito
Pelo menos seis pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas depois que um homem armado abriu fogo em Cracóvia, no sul da Polônia, informaram as autoridades no sábado (7). Três outras pessoas foram encontradas mortas na residência do suspeito.
O ataque começou por volta das 15h, no horário local, quando o homem entrou na praça principal da cidade e passou a atirar aleatoriamente. Quatro mulheres e dois homens morreram na praça, segundo a polícia de Cracóvia.
Suspeito foi baleado pela polícia e segue internado
O suspeito, um cidadão polonês de 25 anos, usava roupas de estilo militar e empunhou “armas militares”, disse a vice-inspetora de polícia Katarzyna Cisło ao canal de notícias polonês TVN24. Ele foi baleado e ferido pela polícia e levado ao hospital.
Era o único suspeito procurado.
Ele passou por várias cirurgias e está em um “estado estável, porém muito crítico”, afirmou um porta-voz da polícia regional à agência Reuters. A motivação do atirador ainda não ficou clara.
O ministro da Defesa da Polônia, Władysław Kosiniak-Kamysz, negou que o homem fosse militar. “O homem não era, nem é, militar das Forças Armadas polonesas e nunca teve qualquer ligação com as Forças Armadas”, afirmou.
Polícia encontra corpos e armas em residência
Durante uma busca na casa do suspeito em Ostrowiec Świętokrzyski, cerca de 193 quilômetros ao norte de Cracóvia, a polícia encontrou os corpos de três pessoas, duas mulheres e um homem. Os agentes também acharam “muitos itens de armas e munição” no veículo do suspeito, disse a vice-inspetora.
Em coletiva de imprensa, o ministro do Interior, Marcin Kierwiński, afirmou que o agressor era fascinado por ideologias de ultradireita e defendia “visões muito radicais”. “Tudo indica que o atirador foi influenciado por uma ideologia de ultradireita, um aspecto que também será objeto de investigação”, disse.
Dois policiais estão entre os feridos
Dois policiais foram atingidos. Um deles levou um tiro, enquanto o outro foi baleado três vezes, segundo as autoridades. Ambos passaram por cirurgia e estão em estado estável, disse à Reuters um porta-voz da polícia regional. Já o ministro da Justiça, Waldemar Żurek, afirmou que um dos agentes está com um dos pulmões sem funcionar. Ele precisa de sangue tipo AB+, e Żurek pediu que os cidadãos procurem centros de doação imediatamente.
O primeiro-ministro Donald Tusk escreveu no X que os dois policiais “provavelmente salvaram muitas vidas, sem levar em conta o risco de perderem as suas próprias”. O ministro da Defesa também elogiou a ação. “Os policiais que responderam imediatamente e detiveram o agressor com grande determinação demonstraram uma coragem imensa. São verdadeiros heróis”, disse.
Entre os feridos há cinco estrangeiros, de Áustria, Alemanha, Portugal, Rússia e Reino Unido, informou à Reuters um porta-voz do Ministério do Interior.
Cenário na praça e danos na região
Imagens da Reuters mostram policiais fortemente armados, com capacetes e equipamentos táticos, na praça. Pedestres seguem pelas ruas enquanto sirenes tocam ao fundo. A praça, cercada por cafés e bares, costuma reunir turistas e moradores.
A agência de transportes de Cracóvia informou que um disparo atingiu um bonde e estilhaçou a janela do condutor, sem deixar feridos. O atirador também baleou dois cavalos que puxavam carruagens no centro, segundo a organização OTOZ Animals. Os animais estão vivos, foram atendidos por um veterinário e retirados do local.
A polícia instalou um ônibus perto do local para que testemunhas prestem depoimento. As equipes de emergência seguem trabalhando na região.
Tusk reúne ministros e prefeito em Cracóvia
No fim da noite de sábado, Tusk se reuniu em Cracóvia com ministros, agentes dos serviços de segurança, o chefe do Departamento de Segurança Nacional e o prefeito. Durante a reunião de crise, ele disse haver “fortes indícios” de que os três corpos encontrados na residência “são membros da família próxima do suspeito”.
O presidente Karol Nawrocki informou que o chefe do Departamento de Segurança Nacional seguia para Cracóvia. “Meus pensamentos estão com as vítimas, os feridos e suas famílias”, disse em comunicado. O prefeito Łukasz Gibała decretou luto na cidade até 11 de novembro.
Países vizinhos também se manifestaram. O Ministério das Relações Exteriores da Tchéquia expressou “mais profundos sentimentos às famílias das vítimas e a todos os afetados por este ataque brutal”. O chanceler eslovaco, Juraj Blanár, disse estar “profundamente chocado”.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, escreveu que “não pode haver justificativa para este ataque”.
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