Assessor de Infantino renuncia e critica proposta da Fifa como “mau negócio” para o futebol

A renúncia de Cordeiro destaca a crescente insatisfação entre as confederações de futebol, que temem impactos negativos na integridade do esporte.

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Sede da Fifa em Zurique, na Suíça | Foto: Reprodução
Sede da Fifa em Zurique, na Suíça | Foto: Reprodução

A proposta da Fifa de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo resultou na renúncia de Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente Gianni Infantino, nesta sexta-feira (31). Cordeiro, que deixou o cargo com efeito imediato, criticou a medida, chamando-a de “um mau negócio para o futebol” em meio a um crescente descontentamento entre as confederações.

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O ex-banqueiro e ex-vice-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos afirmou que a entidade está “hipotecando o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”.

Nomeado por Infantino em 2021, Cordeiro declarou que não participou da elaboração da proposta e se opõe a ela “de forma inequívoca”. Em seu comunicado, ele enfatizou que o plano é prejudicial tanto para as associações-membro da Fifa quanto para o futuro do esporte.

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Apesar das críticas, a Fifa reafirmou sua intenção de seguir adiante com a apresentação do projeto às 211 associações nacionais.

Proposta da Fifa e reações adversas

A Fifa planeja criar uma subsidiária avaliada em 20 bilhões de dólares — cerca de R$ 101 bilhões — chamada FFE, responsável pela administração da Copa do Mundo e outros eventos. O projeto inclui a venda de até 20% dessa nova empresa a investidores externos, liderados pelo fundo Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Uefa lidera a oposição à proposta, acusando a entidade máxima do futebol de colocar “a alma” do esporte à venda. Na quinta-feira, todas as 55 associações filiadas à Uefa votaram unânimes a favor do boicote a todos os torneios organizados pela Fifa. A decisão ocorreu menos de duas semanas após a vitória da Espanha na Copa do Mundo.

Em resposta, a Fifa afirmou que “ninguém está vendendo o futebol” e defendeu o direito das associações-membro de expressar suas opiniões sobre o projeto.

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A Concacaf também rejeitou a proposta durante uma reunião na quinta-feira. Embora tenha se manifestado contrariamente ao plano, essa confederação não seguiu a Uefa na ameaça de boicote. Por outro lado, a Confederação Asiática de Futebol (Afc) manifestou solidariedade à Uefa e à Concacaf, mas não ameaçou boicotar os torneios organizados pela Fifa.

Processo democrático em discussão

Nesta semana, Infantino enviou uma carta às associações-membro informando que cada uma delas receberia 40 milhões de dólares — aproximadamente R$ 202 milhões — caso aprovasse a proposta até 19 de setembro. No entanto, nesta sexta-feira, a entidade disse que não avançará com o plano sem o apoio da maioria das associações-membro.

A Fifa destacou princípios como financiamento inédito para o desenvolvimento e autonomia das associações na tomada de decisões. Juntas, Uefa, Concacaf e Afc representam 143 associações nacionais, mais da metade dos membros da Fifa. Contudo, não há garantias de que todas as federações seguirão as orientações de suas confederações.

O presidente da Associação de Futebol da República Tcheca, David Trunda, comentou sobre um “impacto positivo nas intenções” da Fifa. Já a Federação Mexicana anunciou que analisará o projeto antes de tomar uma decisão final. O ex-jogador Xabi Alonso também se manifestou contra a proposta ao afirmar que o futebol deve priorizar os interesses dos torcedores: “Precisamos defender os interesses de todas as pessoas”, ressaltou durante entrevista em Sydney.

Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

A Redação Esportes reúne a cobertura do Clique Fatos sobre futebol brasileiro e internacional, competições e bastidores do esporte. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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