Artigo: solidariedade latino-americana a Cuba diante da pressão de Trump
Cuba em foco: a obsessão de Trump e a solidariedade latino-americana
A obsessão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a ilha caribenha de Cuba tem gerado preocupações e intensificado uma política de pressão econômica que, desde a década de 1960, visa enfraquecer o governo revolucionário. Estimativas apontam que os prejuízos acumulados decorrentes do bloqueio americano ultrapassaram os US$ 150 bilhões, impactando diretamente setores cruciais como saúde, educação, produção de alimentos, transporte e acesso à energia.
A situação energética, em particular, é alarmante, pois o acesso a combustíveis é fundamental para o funcionamento de hospitais, serviços públicos e para que as famílias possam realizar tarefas básicas como cozinhar.
Crise energética e impacto humanitário
O bloqueio naval à Venezuela, o sequestro de embarcações petroleiras no Caribe e a ameaça de novas sanções contra países que comercializam combustíveis com Cuba representam uma tentativa explícita de provocar uma crise humanitária sem precedentes.
A esperança por trás dessas ações é, historicamente, derrubar o governo da Revolução Cubana, que resiste a inúmeras pressões e tentativas de sabotagem há mais de 67 anos. Essa situação impacta diretamente a reprodução da vida na ilha, afetando o transporte, a eletricidade, a saúde e a produção de alimentos, configurando uma forma de guerra econômica baseada no sofrimento prolongado da população.
Solidariedade internacional e a luta por autonomia
A demanda pelo envio de petróleo do Brasil para Cuba, em 2026, transcende uma simples questão comercial. É uma decisão política que envolve soberania, solidariedade internacionalista e o direito dos povos de escolherem seu próprio caminho, livre de coerção externa.
Em um continente marcado por séculos de dependência e intervenção estrangeira, gestos de solidariedade entre nações latino-americanas ganham um significado ainda mais profundo, representando a única possibilidade de romper esse ciclo. O movimento social brasileiro, organizações progressistas e a União Nacional dos Estudantes (UNE) intensificam essa agenda internacional, buscando fortalecer essa frente de apoio.
História de solidariedade e legado
A história de Cuba, especialmente durante a ditadura militar brasileira e em outros regimes de exceção da América do Sul, é marcada pela acolhida a perseguidos políticos. Cuba ofereceu apoio humanitário e médico a dezenas de países ao longo das décadas, inclusive durante a pandemia de Covid-19.
O Brasil, por sua vez, recebeu agentes de saúde cubanos no programa “Mais Médicos” e acolheu brasileiros afetados pela tragédia do Césio-137 em Goiânia, demonstrando a expertise que Cuba já havia adquirido no tratamento solidário aos soviéticos contaminados pelo desastre de Chernobyl.
Defender Cuba neste momento é defender um princípio fundamental da nossa região: a convicção de que nenhum país deve ser condenado ao isolamento ou ao sofrimento coletivo por escolher seu próprio caminho.
Bianca Borges é presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) e Erik Souza é diretor de relações internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE) e secretário executivo da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).
Este é um artigo de opinião.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
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