Apenas 18 espécies de árvores são responsáveis por mais de 50% da regeneração da Amazônia

Pesquisadores brasileiros descobriram cerca de 18 espécies de árvores na Amazônia que conseguem se regenerar mesmo após longos períodos de devastação. Essas espécies são responsáveis por mais de 50% da abundância e do armazenamento de carbono na região.
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O estudo, intitulado “Hiperdominância e Raridade em Florestas Secundárias Amazônicas”, aponta que essas linhagens podem ser essenciais para combater o aquecimento global e restaurar o bioma que foi perdido devido ao desmatamento ao longo dos anos.
Fernando Elias, pesquisador do Museu Goeldi, destacou em entrevista à CNN Brasil, na última segunda – feira (17), que foram analisadas 102 parcelas de floresta em quatro regiões da Amazônia Oriental, separadas, em média, por 600 quilômetros. O estudo teve apoio do Instituto Serrapilheira e buscou identificar a hiperdominância das espécies e seus processos de restauração.
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Espécies – chave para a recuperação
No total, os cientistas encontraram 25 espécies – chave. Como esse grupo controla metade dos principais aspectos do bioma, os pesquisadores sugerem que elas sejam priorizadas para garantir um retorno rápido da biomassa na Amazônia. A pesquisa visa focar nas espécies que mais contribuem para o acúmulo de carbono, direcionando ações de restauração às florestas que estão se regenerando naturalmente.
O Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) apontou que as áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia somaram 2.874,38 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. Apesar dessa situação crítica, a Amazônia continua sendo um dos principais biomas do planeta.
Fernando Elias enfatizou a importância dessas florestas para a conservação da biodiversidade na região e destacou que elas estão recuperando serviços ecossistêmicos essenciais, além da biodiversidade e qualidade do solo nas áreas desmatadas.
Como ocorre a regeneração das florestas?
A regeneração das florestas após o desmatamento dá origem às chamadas “florestas secundárias”, que voltam a crescer nas áreas anteriormente afetadas. Durante esse processo, diferentes espécies ocupam o espaço deixado pela vegetação original, alterando a composição da floresta ao longo do tempo.
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Segundo o estudo, essas árvores são adaptadas a condições ambientais extremas e têm capacidade de prosperar em regiões com solos degradados, enfrentando incêndios frequentes e secas severas.
Essas espécies possuem uma densidade de madeira menor em comparação com outras e exigem menos energia para crescer. Elas não apenas crescem novamente; também colaboram para a recuperação de outras árvores durante esse processo. No início da regeneração, algumas barreiras podem dificultar o crescimento de outras espécies devido às condições do solo e clima.
Por serem mais resistentes, essas árvores criam um ambiente sombreado favorável para que outras espécies consigam germinar e sobreviver.
A importância da biodiversidade na restauração
Elias ressaltou que a replantação dessas espécies é fundamental nas áreas da Amazônia. Contudo, ele alertou que isso não substitui a necessidade de preservar outras variedades presentes no bioma. “Se uma empresa ou o governo quiserem promover ações de restauração utilizando essas espécies, eles se beneficiam ao buscar recuperar carbono e abundância”, afirmou.
Por fim, ele defendeu uma abordagem ecológica com maior diversidade possível: “Não significa que apenas essas espécies devam ser recuperadas”, concluiu Fernando Elias. Com isso, ele reforçou a importância da preservação das florestas primárias enquanto as ações de restauração prosseguem.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



