Apenas 18 espécies de árvores são responsáveis por mais de 50% da regeneração da Amazônia

Essas 18 espécies de árvores podem ser fundamentais para a recuperação da Amazônia e o combate ao aquecimento global, segundo estudo recente.

19/08/2026 03:21

3 min

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Pesquisadores brasileiros descobriram cerca de 18 espécies de árvores na Amazônia que conseguem se regenerar mesmo após longos períodos de devastação. Essas espécies são responsáveis por mais de 50% da abundância e do armazenamento de carbono na região.

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O estudo, intitulado “Hiperdominância e Raridade em Florestas Secundárias Amazônicas”, aponta que essas linhagens podem ser essenciais para combater o aquecimento global e restaurar o bioma que foi perdido devido ao desmatamento ao longo dos anos.

Fernando Elias, pesquisador do Museu Goeldi, destacou em entrevista à CNN Brasil, na última segunda – feira (17), que foram analisadas 102 parcelas de floresta em quatro regiões da Amazônia Oriental, separadas, em média, por 600 quilômetros. O estudo teve apoio do Instituto Serrapilheira e buscou identificar a hiperdominância das espécies e seus processos de restauração.

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Espécies – chave para a recuperação

No total, os cientistas encontraram 25 espécies – chave. Como esse grupo controla metade dos principais aspectos do bioma, os pesquisadores sugerem que elas sejam priorizadas para garantir um retorno rápido da biomassa na Amazônia. A pesquisa visa focar nas espécies que mais contribuem para o acúmulo de carbono, direcionando ações de restauração às florestas que estão se regenerando naturalmente.

O Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) apontou que as áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia somaram 2.874,38 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. Apesar dessa situação crítica, a Amazônia continua sendo um dos principais biomas do planeta.

Fernando Elias enfatizou a importância dessas florestas para a conservação da biodiversidade na região e destacou que elas estão recuperando serviços ecossistêmicos essenciais, além da biodiversidade e qualidade do solo nas áreas desmatadas.

Como ocorre a regeneração das florestas?

A regeneração das florestas após o desmatamento dá origem às chamadas “florestas secundárias”, que voltam a crescer nas áreas anteriormente afetadas. Durante esse processo, diferentes espécies ocupam o espaço deixado pela vegetação original, alterando a composição da floresta ao longo do tempo.

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Segundo o estudo, essas árvores são adaptadas a condições ambientais extremas e têm capacidade de prosperar em regiões com solos degradados, enfrentando incêndios frequentes e secas severas.

Essas espécies possuem uma densidade de madeira menor em comparação com outras e exigem menos energia para crescer. Elas não apenas crescem novamente; também colaboram para a recuperação de outras árvores durante esse processo. No início da regeneração, algumas barreiras podem dificultar o crescimento de outras espécies devido às condições do solo e clima.

Por serem mais resistentes, essas árvores criam um ambiente sombreado favorável para que outras espécies consigam germinar e sobreviver.

A importância da biodiversidade na restauração

Elias ressaltou que a replantação dessas espécies é fundamental nas áreas da Amazônia. Contudo, ele alertou que isso não substitui a necessidade de preservar outras variedades presentes no bioma. “Se uma empresa ou o governo quiserem promover ações de restauração utilizando essas espécies, eles se beneficiam ao buscar recuperar carbono e abundância”, afirmou.

Por fim, ele defendeu uma abordagem ecológica com maior diversidade possível: “Não significa que apenas essas espécies devam ser recuperadas”, concluiu Fernando Elias. Com isso, ele reforçou a importância da preservação das florestas primárias enquanto as ações de restauração prosseguem.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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