ANP destaca “margem enorme” da Petrobras no gás e desafios do programa “gas release”

Mendes ressalta os desafios do programa “gas release”, que busca reduzir a dependência da Petrobras e promover a concorrência no mercado de gás natural.

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Imagem captada por drone mostra dutos e tanques no terminal de distribuição da Petrobras operado pela Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte de petróleo e gás em São Sebastião, no estado de São Paulo, Brasil, em 17 de abril de 2026 | Foto: Reprodução

O diretor da ANP Pietro Mendes destacou nesta sexta-feira (7) a “margem enorme” que a Petrobras tem no mercado de gás natural. Durante uma reunião de diretoria da agência reguladora, ele comentou sobre o programa “gas release”, que tem como objetivo desconcentrar o mercado e reduzir os preços do insumo.

Mendes, que já foi presidente do conselho de administração da Petrobras e ocupou o cargo de secretário de Petróleo e Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, afirmou: “O grande atravessador que nós temos no mercado hoje é a própria Petrobras”.

O diretor explicou que a Petrobras adquire gás natural na boca do poço por US$ 3,8 e o vende para distribuidoras e consumidores livres não térmicos por US$ 12,4 por milhão de BTU. Isso representa uma margem de lucro de US$ 8,6 por milhão de BTU. Mendes, no entanto, não entrou em detalhes sobre os custos relacionados ao transporte e processamento do gás pela empresa.

Dados do mercado de gás natural

De acordo com informações apresentadas durante a discussão, cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos por dia dos 18,6 milhões comercializados diariamente pela Petrobras vêm de compras realizadas com terceiros. O restante é proveniente da produção própria da companhia.

Ainda segundo Mendes, a União tem se empenhado em modificar o sistema atual há algum tempo. Contudo, o programa “gas release” enfrenta resistência tanto dentro da Petrobras quanto entre outros agentes produtores do setor. Relatos obtidos pela Reuters indicam que essa iniciativa poderia desestimular investimentos na área.

Embora a União tenha promovido a redução da concentração no mercado nos últimos anos através da privatização da rede de gasodutos, Mendes ressaltou que a Petrobras ainda representa um “agente dominante”, comercializando 56% do total disponível no mercado.

Desafios para o futuro do setor

A situação evidencia os desafios enfrentados pelo governo e pela ANP em relação à implementação efetiva do “gas release”. A dependência significativa da Petrobras no fornecimento de gás natural levanta questões sobre a competitividade e os preços praticados no setor.

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A expectativa é que novas audiências públicas ajudem a esclarecer os próximos passos para garantir um ambiente mais equilibrado e justo para todos os participantes do mercado.

Atualização em 28/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.

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