Condenada a mais de 260 anos, Angeliquinha terá cela individual e só 2 horas de sol por dia
Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, apontada pelas autoridades brasileiras como líder do CV (Comando Vermelho) em Mato Grosso, chegou a Cuiabá na terça-feira (20). Condenada a mais de 260 anos de prisão, ela vai cumprir pena em RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May.
A transferência ocorre meses depois de a mulher ser presa na Bolívia, em setembro deste ano. Desde a recaptura, ela estava no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), unidade que a recebeu logo após a volta ao Brasil.
Juiz de Sinop determinou isolamento em cela individual
Quem decidiu pelo regime mais rígido foi o juiz Anderson Clayton Dias Batista, da 5ª Vara Criminal de Sinop. As autoridades afirmam que a medida busca impedir que a detenta continue a comandar o grupo criminoso de dentro da cadeia e também evitar que ela tente escapar outra vez.
No RDD, a presa ocupa cela individual e tem visitas limitadas. O banho de sol se resume a duas horas por dia. O processo corre sob sigilo judicial.
A escolha da unidade chama atenção: foi justamente da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May que Angeliquinha fugiu em 17 de agosto de 2025. Depois de deixar a prisão, ela seguiu para o país vizinho, onde acabou localizada numa ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso com a Polícia Boliviana.
Polícia atribui a ela papel estratégico nas finanças da facção
Para a Polícia Civil de Mato Grosso, Angeliquinha cuidava de frentes centrais do CV, como a gestão do dinheiro, o tráfico de drogas e a lavagem de recursos. Entre os crimes pelos quais foi condenada estão homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
Os investigadores também ligam a mulher a atividades ilegais na região de Alta Floresta. Lá, segundo a apuração, ela tinha influência sobre o tráfico, extorsões e a exploração de negócios ilícitos em áreas de garimpo.
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Operação Showdown mirou pai, filha e genro
Em março deste ano, a Polícia Civil lançou a Operação Showdown contra o núcleo familiar de Angeliquinha. A suspeita é que parentes davam sustentação às ações do grupo e ajudavam a lavar o dinheiro da facção. Foram alvos o pai, a filha e o genro de Angélica.
Ao todo, os policiais cumpriram 31 ordens judiciais. Quatro delas eram mandados de prisão e sete, de busca e apreensão. A Justiça ainda autorizou o sequestro de seis veículos e de quatro imóveis, bloqueou sete contas bancárias e suspendeu as atividades de três pessoas jurídicas.
A investigação rastreou mais de R$ 20 milhões movimentados em cerca de um ano e sete meses, valor que não bate com a renda declarada pelos suspeitos. De acordo com a apuração, empresas e outros negócios serviam de fachada para dar aparência legal ao dinheiro do crime.
O grupo segue investigado ainda por participação em garimpo irregular em Alta Floresta e Nova Bandeirantes. Segundo os investigadores, essa atividade estaria associada a outros crimes, como extorsões e tráfico de drogas.
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