Agricultura familiar reúne 77% das propriedades, mas só 15% têm crédito

Agricultura familiar responde por 77% das propriedades, mas apenas 15% têm acesso a crédito rural, aponta estudo do WRI Brasil.

15/10/2026 06:13

2 min

“Floresta e Comunidades: Amazônia viva” destinará 80 milhões do fundo Amazônia para incentivar a agricultura familiar na região.
“Floresta e Comunidades: Amazônia viva” destinará 80 milhões do ...
▼

A agricultura familiar responde por 77% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil, mas ainda enfrenta barreiras para se desenvolver. Um levantamento do WRI Brasil, baseado no Censo Agropecuário de 2017, mostra que apenas 18,2% dessas unidades recebem assistência técnica e somente 15,4% têm acesso a crédito rural.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O estudo analisa as desigualdades do setor e conclui que a agricultura familiar reúne realidades muito distintas, que precisam ser levadas em conta na hora de planejar políticas públicas. São cerca de 3,9 milhões de estabelecimentos familiares no país, o que equivale a 77% do total de unidades agropecuárias. Apesar disso, eles ocupam apenas 23% da área total e respondem por uma fatia semelhante do valor da produção.

Participação na produção de alimentos varia por região

A pesquisa aponta que o peso da agricultura familiar na oferta de alimentos não é uniforme. O segmento é responsável por 58,3% do volume nacional de cebola e 48,5% da produção de banana. No feijão, a participação chega a 23,1%. Já na batata-inglesa, o índice cai para 12%; no arroz, para 10,9%; e na laranja e no tomate rasteiro, ambos com 9%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em 142 produtos agropecuários, a agricultura familiar representa mais da metade do valor bruto da produção. Entre os exemplos estão a mandioca, com aproximadamente 80% do valor nacional; o leite de vaca, com 62,8%; a alface, com 62,1%; e o morango, com 79%.

O recorte considerou alimentos relevantes para o consumo dos brasileiros, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017–2018.

A distribuição territorial também ajuda a explicar a importância do setor para o abastecimento. No Sul, a produção familiar se destaca em arroz, cebola e feijão-preto. No Nordeste, o forte são o feijão-fradinho e o feijão-verde. Já o Sudeste concentra a produção de batata e tomate.

Apenas 11,5% dos estabelecimentos têm tratores

Além da baixa cobertura de assistência técnica e crédito, o levantamento revela que somente 11,5% dos estabelecimentos familiares possuíam tratores. A assistência técnica também é concentrada regionalmente: 46% dos estabelecimentos atendidos estavam no Sul, 24% no Sudeste, 19% no Nordeste, 6% no Norte e 5% no Centro-Oeste.

Leia também

As diferenças aparecem também conforme o perfil de quem dirige a unidade produtiva. Entre os estabelecimentos comandados por mulheres, 11,2% recebiam assistência técnica, ante 19,9% dos dirigidos por homens. A presença de tratores era de 4,2% e 13,2%, respectivamente.

Para o WRI Brasil, ainda faltam estratégias uniformes de apoio aos diferentes perfis de agricultores familiares. “Fortalecer a produção de alimentos exige diagnósticos que considerem essas diferenças e orientem o acesso a crédito, assistência técnica, tecnologia e mercados”, conclui a pesquisa.

A Redação Economia reúne a cobertura do Clique Fatos sobre economia, negócios, mercado financeiro, agronegócio e finanças pessoais. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!