ABPM destaca florada uniforme após frio intenso, mas chuva pode reduzir a polinização

A colheita de Gala e Fuji está prevista para o começo de 2027, enquanto produtores avaliam nas próximas semanas a fixação dos frutos após a polinização.

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As macieiras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entraram em floração com a chegada da primavera.

O frio mais intenso e constante favoreceu a florada das macieiras nas principais regiões produtoras do Brasil. A etapa abre o ciclo da nova safra, cuja colheita das variedades Gala e Fuji está prevista para o começo de 2027.

A próxima fase é a polinização, que influencia o volume e a qualidade dos frutos. O excesso de chuva no Sul do Brasil, associado a um ano de El Niño forte, preocupa produtores porque pode reduzir o voo das abelhas nos pomares.

Chuva pode dificultar a polinização

As macieiras precisam passar por um período de dormência antes de voltar a se desenvolver. O acúmulo de horas de frio ficou acima da média histórica este ano, segundo Moisés Lopes de Albuquerque, diretor executivo da ABPM (Associação Brasileira dos Produtores de Maçã).

“O frio intenso e bem distribuído garantiu uma excelente quebra de dormência, resultando em plantas com brotação muito uniforme, forte e com alto potencial de florada”, explica Albuquerque.

Períodos prolongados de chuva e com grande intensidade podem prejudicar a polinização ao reduzir a atividade de voo das abelhas. A presença desses insetos e de outros polinizadores é fundamental para a fecundação, a fixação e o desenvolvimento dos frutos.

Para aproveitar as janelas de tempo bom, muitos produtores alugaram colmeias e aumentaram a quantidade nos pomares. Os efeitos da medida serão avaliados nas próximas semanas, quando será verificado o índice de fixação dos frutos nas plantas.

Colheita de Gala e Fuji está prevista para 2027

Além da polinização, ainda há outras etapas antes do início da colheita das variedades Gala e Fuji, prevista para o começo de 2027. Albuquerque diz estar confiante em uma safra equilibrada em volume e de excelente qualidade.

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Brasil colheu 1,6 milhão de toneladas em 2025/2026

O otimismo ocorre após uma safra recorde: o Brasil colheu 1,6 milhão de toneladas de maçãs em 2025/2026, quase o dobro das cerca de 850 mil toneladas registradas nas duas temporadas anteriores. O resultado superou também a marca de 1,3 milhão de toneladas de 2017.

Santa Catarina liderou a produção, com cerca de 830 mil toneladas. O Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar, com aproximadamente 710 mil toneladas, e o Paraná produziu cerca de 50 mil toneladas. São Paulo e Minas Gerais também cultivam a fruta, em escala bem menor.

Exportações cresceram, mas ficaram abaixo da meta

As exportações chegaram a 48,6 mil toneladas em 2026, ante 13 mil toneladas em 2025, e somaram US$ 49,6 milhões, segundo a ABPM. A maçã brasileira foi enviada a mais de 25 países; a Índia recebeu 18,1 mil toneladas e a Arábia Saudita, 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também estiveram entre os principais compradores.

A associação esperava exportar 100 mil toneladas da supersafra, mas obstáculos comerciais e logísticos provocados pela Guerra do Oriente Médio limitaram as vendas. “O conflito limitou as vendas para aquela região, provocou uma sobreoferta em outros mercados e dificultou a logística para praticamente todos os destinos”, afirma Albuquerque.

O aumento da oferta também ampliou a disponibilidade no mercado interno e contribuiu para reduzir os preços ao consumidor. A demanda por maçãs frescas no Brasil está em cerca de 1 milhão de toneladas, mas, neste ano, o consumo deve crescer com os preços mais competitivos e a oferta elevada, segundo o diretor executivo.

A abertura de mercados como México e Malásia é considerada fundamental pela associação para diversificar os destinos e ajudar a equilibrar o mercado nacional. Albuquerque afirma que, após duas safras de baixa produção entre 2023 e 2025, a participação de maçãs nacionais no consumo brasileiro deve voltar a superar 85% em 2026.

Nas temporadas anteriores, cerca de dois terços das frutas consumidas no país eram produzidas no Brasil.

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