11 de setembro: repórter relembra aviso a Bush na escola: “A América está sob ataque”

Bush planeja participar de cerimônia no Ground Zero, em Nova York, para marcar os 25 anos dos ataques e relembrar as vítimas.

George W. Bush fala com bombeiros em NY após os ataques de 11 de setembro

Em 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush estava na Flórida para um evento sobre políticas educacionais quando recebeu a notícia dos ataques às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Menos de oito meses depois de assumir a presidência dos Estados Unidos, ele acompanhou o início da maior crise de seu governo na escola primária Emma E.

Booker, em Sarasota.

O correspondente da Reuters que viajava com Bush naquele dia estava em um centro de imprensa próximo, onde jornalistas assistiam à transmissão ao vivo. Primeiro, um avião atingiu uma das torres e foi tratado como possível acidente. A hipótese caiu por terra quando um segundo avião atingiu o outro prédio.

O aviso na escola e a reação de Bush

Bush lia para as crianças quando um assessor da Casa Branca entrou na sala e falou em voz baixa sobre o novo impacto. A mensagem foi direta: “A América está sob ataque.” Câmeras registraram o choque no rosto do presidente.

Ao longo daquela semana, Bush alternou horror, raiva, pesar e lágrimas pelas vítimas. Também prometeu que os responsáveis seriam punidos. Mais tarde, ao programa “60 Minutes II”, da CBS, ele resumiu o impacto daqueles acontecimentos: “Ficou evidente… que o mundo havia mudado”.

O ex – presidente, hoje com 80 anos, planeja participar de uma cerimônia na sexta – feira (11), no Ground Zero, em Nova York, para marcar o 25º aniversário dos ataques. Na noite de quarta – feira (9), ele falou sobre a data em sua biblioteca presidencial, em Dallas.

No local, 16 obras de arte pintadas por Bush, com retratos da coragem e do sacrifício daquele dia, estarão em exposição.

Leia também

A retirada do presidente e o retorno a Washington

Após os ataques, a equipe de segurança levou Bush às pressas ao Air Force One. As torres do World Trade Center desabaram e provocaram a morte de cerca de 3.000 pessoas. Um terceiro avião atingiu o Pentágono, matando as 64 pessoas a bordo e 125 pessoas no prédio.

Um quarto avião caiu em um campo em Shanksville, na Pensilvânia, depois que passageiros enfrentaram os sequestradores. As 44 pessoas que estavam a bordo morreram. Em Washington, o medo aumentou com a fumaça no Pentágono, e a Casa Branca foi esvaziada.

Funcionárias do Serviço Secreto foram orientadas a tirar os sapatos de salto para correr.

O Air Force One levou Bush primeiro à Base Aérea de Barksdale, na Louisiana, e depois à Base Aérea de Offutt, em Nebraska. Em um bunker subterrâneo, ele participou de uma videoconferência com assessores de segurança nacional e o vice – presidente Dick Cheney.

No fim da tarde, voltou à Casa Branca e fez um pronunciamento no Salão Oval.

Enquanto Bush cruzava o país, jornalistas ficaram retidos na Flórida porque todo o tráfego aéreo havia sido suspenso. Um grupo ligado à Associação de Correspondentes da Casa Branca conseguiu retornar de ônibus fretado. A viagem até a capital durou 14 horas, e a primeira imagem de Washington foi a abertura fumegante no Pentágono.

O Ground Zero e as lembranças das cinzas

Em 14 de setembro, Bush foi ao Ground Zero acompanhado do então prefeito Rudy Giuliani. As torres ainda queimavam, o cheiro podia ser sentido a quilômetros e havia receio de que construções próximas também desabassem. Cinzas cobriam calçadas, ruas e os ombros de bombeiros exaustos.

Sobre os restos de um caminhão de bombeiros, Bush declarou que os Estados Unidos estavam em guerra contra militantes islâmicos. Com um megafone, afirmou: “Eu consigo ouvir vocês! Eu consigo ouvir vocês! O resto do mundo ouve vocês! E as pessoas que derrubaram estes prédios vão ouvir todos nós em breve!”.

O governo Bush passou o restante da presidência tentando impedir um novo ataque semelhante. As falhas de segurança levaram ao reforço da proteção em aeroportos e prédios públicos. O governo também foi criticado pelas duras técnicas de interrogatório contra suspeitos de militância islâmica, enquanto a invasão do Iraque, em 2003, foi considerada por muitos um erro de alto custo.

Os sapatos usados pelo correspondente no Ground Zero ficaram cobertos de cinzas e fuligem. Vinte e cinco anos depois, continuam guardados em um saco plástico dentro de um armário: danificados demais para o uso, mas importantes demais para serem descartados.