Zelensky propõe trégua em ataques se parceiros garantirem que Rússia pare de bombardear energia
Zelensky condiciona trégua a garantias verificáveis de que Moscou não usará a pausa para rearmar ou atacar infraestrutura crítica.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda – feira (14) que seu país está disposto a interromper os ataques contra a Rússia, desde que os parceiros internacionais garantam que Moscou também pare de bombardear instalações de energia, infraestrutura e rotas de abastecimento de alimentos ucranianas.
A declaração foi publicada por Zelensky no aplicativo Telegram, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se manifestar sobre o conflito.
Na mensagem, o líder ucraniano deixou claro que a Ucrânia não está convencida de que a Rússia realmente queira cumprir qualquer acordo de cessar – fogo. “Uma medida de desescalada em relação à infraestrutura crítica pode ser o primeiro passo rumo à paz.
Aguardamos detalhes de nossos parceiros”, escreveu Zelensky. A fala ocorre em meio a uma escalada de tensões e ataques mútuos que afetam diretamente a população civil e a economia dos dois países.
Pressão de Trump e o impacto dos ataques
No domingo (13), Donald Trump havia feito um apelo direto a Zelensky, cobrando uma postura mais moderada. O presidente americano argumentou que os ataques ucranianos estavam provocando uma escassez de combustível, situação que, segundo ele, “está prejudicando o mundo”.
A declaração de Trump aumentou a pressão sobre Kiev, que busca equilibrar a defesa de seu território com as demandas dos aliados ocidentais.
Zelensky, no entanto, manteve o tom cauteloso. Para o governo ucraniano, a falta de confiança em relação às intenções russas é o principal obstáculo para qualquer trégua. Desde o início da guerra, Moscou já violou diversos acordos humanitários e de cessar – fogo, o que faz com que Kiev exija garantias concretas antes de dar qualquer passo.
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A proposta ucraniana de suspender os ataques está condicionada a um compromisso verificável da Rússia. Na prática, Zelensky quer que os parceiros internacionais atuem como fiadores de que Moscou não usará uma eventual pausa para rearmar ou atacar a infraestrutura crítica ucraniana.
Infraestrutura crítica como alvo central
Os bombardeios contra instalações de energia e redes de abastecimento têm sido uma das marcas mais destrutivas do conflito. Desde o outono de 2022, a Rússia intensificou os ataques ao sistema elétrico ucraniano, deixando milhões de pessoas sem luz e aquecimento durante o inverno.
As rotas de abastecimento de alimentos também foram atingidas, agravando a crise humanitária e elevando os preços globais de grãos.
Para a Ucrânia, proteger esses pontos é uma questão de sobrevivência. Por isso, Zelensky condicionou qualquer cessar – fogo à garantia de que a infraestrutura civil não será alvo. “Os parceiros precisam nos assegurar que a Rússia cumprirá sua parte”, reforçou o presidente, ecoando a desconfiança que domina o governo ucraniano.
Enquanto isso, os ataques continuam em várias frentes. A Ucrânia tem usado drones e mísseis para atingir bases militares e depósitos de combustível em território russo, o que levou Trump a alertar sobre o impacto global da escassez de energia. A situação coloca os aliados ocidentais em uma posição delicada: apoiar a defesa ucraniana sem que o conflito se transforme em uma crise energética mundial.
Zelensky, por fim, deixou claro que a bola está com os parceiros internacionais. “Aguardamos detalhes”, disse, indicando que qualquer movimento dependerá de negociações mais amplas. A comunidade internacional observa com atenção, ciente de que o primeiro passo rumo à paz pode estar em um acordo sobre infraestrutura crítica — mas a desconfiança entre as partes ainda é o maior obstáculo.