Zelensky enfrenta crise com saída da primeira-ministra e do ministro da Defesa
O governo ucraniano de Volodymyr Zelensky passa por uma profunda reformulação, com mudanças em cargos estratégicos do alto escalão político e militar.
A renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko e a saída do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, acenderam um alerta sobre uma crise política no país. A reestruturação ocorre em meio à intensificação dos combates na guerra com a Rússia.
Desgaste do governo
Segundo Ruslan Bortnik, diretor do Instituto Ucraniano de Política, as mudanças não são aleatórias: o objetivo é melhorar uma imagem já muito desgastada pelos escândalos que envolvem pessoas próximas ao presidente. “O governo perdeu a confiança. É um governo com a reputação seriamente abalada”, afirma o cientista político.
Ele aponta também problemas de lealdade dentro do governo e desconfiança em relação à ex-primeira-ministra Svyrydenko, por causa de seu comportamento em conflitos internos do gabinete presidencial.
Protestos
A instabilidade provocou reações nas ruas. Na quinta-feira (16), centenas de pessoas marcharam pelo centro de Kiev com cartazes de apoio a Fedorov e de crítica a Zelensky. Houve atos também em outras 13 cidades, como Lviv, Odessa e Kharkiv.
O Kremlin manteve uma postura cautelosa. O porta-voz Dmitri Peskov afirmou que Moscou acompanha as notícias sobre o governo de Kiev. “Para nós, é importante ter alguém no governo em Kiev capaz de tomar decisões responsáveis, seja quem for”, disse, ao reforçar o foco russo numa solução negociada e na conclusão do que Moscou chama de operação militar especial.
Pressão contra a corrupção
Fedorov era respeitado pela opinião pública por sua associação com o combate a esquemas de corrupção. “Nesse aspecto, ele tem uma boa reputação. Além disso, já atuou como vice-primeiro-ministro, quando lançou serviços digitais amplamente usados pelos cidadãos”, detalha Bortnik.
A insatisfação com a corrupção não é nova. Em novembro de 2025, órgãos anticorrupção investigaram a estatal de energia nuclear Energoatom e descobriram um esquema que exigia propinas de 10% a 15% dos contratos. O empresário Timur Mindich foi apontado como figura central, e o escândalo também envolveu o então ministro da Justiça, Herman Galushchenko.
Perspectivas
Diante desse cenário, Zelensky busca uma reforma que atraia mais apoio financeiro e militar da Europa, mas as medidas enfrentam controvérsia internamente.
“O rumo não deverá sofrer alterações”, afirma Bortnik. Ele projeta mais foco na política doméstica, com a “garantia do fornecimento de energia e o combate a tentativas internas de desestabilização”.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.
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