Waack: crise institucional no STF se agrava e alcança o país e a política

O pedido da PGR pela nulidade dos dados pode levar o plenário do STF a avaliar uma investigação sobre Moraes, ampliando a tensão entre os Poderes.

Sessão plenária do STF

O Brasil atravessa uma grave crise institucional que, na avaliação apresentada, ainda pode se agravar. O episódio veio à tona a partir do conteúdo dos celulares de um banqueiro preso por conduzir uma organização criminosa.

As mensagens e os dados apreendidos sugeririam que Alexandre de Moraes, um dos mais poderosos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), teria se tornado funcionário de um fraudador organizado para cometer crimes. A suspeita, por si só, já seria grave.

O quadro se tornou ainda mais delicado porque o STF não identificou, por razões corporativistas e políticas, motivos para agir contra a conduta atribuída a Moraes e a Dias Toffoli.

Decisões do STF ampliam a pressão

A Procuradoria – Geral da República também não teria encontrado razão para intervir. Nesta terça – feira (1), porém, pediu a nulidade da decisão que resultou na coleta dos dados. O material reunido é apontado como possível indício de que Moraes teria atuado como advogado a serviço do banqueiro.

A eventual abertura de uma investigação contra Moraes deverá ser analisada pelo plenário do Supremo. A Corte, diante desse cenário, enfrenta uma escolha difícil e sem saída confortável.

Se não tomar nenhuma providência, como ocorreu no início do escândalo, o STF poderá aprofundar a crise institucional. Se decidir agir, também ficará exposto, porque o problema ultrapassa os detalhes desabonadores encontrados no material dos celulares.

Crise envolve os poderes da República

A avaliação apresentada é que o principal acordão político do momento foi construído para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reeleição. Moraes aparece como âncora e pivô desse acordo, ao lado de pelo menos dois de seus colegas dentro do STF.

Leia também

Os presidentes das Casas Legislativas também participariam da articulação. Eles, por sua vez, estariam preocupados com o envolvimento de seus nomes em escândalos.

O alcance da crise, portanto, não dependeria apenas do que possa ocorrer com cada pessoa citada no escândalo. O episódio atingiria os poderes da República, comprometendo a legitimidade, o respeito e a confiança que a sociedade deveria depositar nessas instituições.

O ambiente também favoreceria o surgimento da possibilidade de desobediência civil.

O desfecho dependerá da reação da sociedade diante dos fatos e das decisões que ainda serão tomadas pelas instituições envolvidas.