Voto distrital misto pode mudar como você elege deputado federal e reduzir peso de campeões de voto

Com o avanço do PL nas eleições de 2026, uma antiga proposta de reforma política voltou à pauta do Congresso. Lideranças do Centrão passaram a avaliar a adoção do voto distrital misto, um sistema que mudaria a forma como os deputados federais são eleitos.
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Na prática, o modelo poderia diminuir o peso de candidatos com votações muito altas no desempenho de seus partidos. O debate ganhou fôlego após o bom resultado de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, que somaram milhões de votos e ajudaram a ampliar a bancada do PL.
Como funciona o voto proporcional atual
No modelo proporcional de lista aberta, usado hoje no Brasil, os votos recebidos por cada candidato ajudam a definir quantas cadeiras a sua legenda conquista. É esse mecanismo que a proposta pretende alterar.
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Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do Info Money, o cientista político Ivan Fernandes, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), afirmou que mudanças nas regras eleitorais costumam surgir quando partidos enxergam riscos ao próprio poder. “Toda vez que você tem uma tensão política, isso acontece. Quem vê que está perdendo apoio pensa em novas regras”, afirmou.
Por que a mudança enfrenta resistência no Congresso
Para Fernandes, o principal obstáculo está dentro do próprio Congresso. Os deputados e senadores que ocupam hoje as cadeiras foram eleitos pelas regras em vigor, e qualquer alteração embaralha as chances deles de se reeleger. “Se você mudar a regra, você não sabe se eles vão ser eleitos”, disse.
O cientista político avalia que mudanças desse porte exigem negociações amplas e costumam enfrentar a oposição de grupos que hoje se beneficiam do sistema. Entre eles estão novas lideranças que ganharam espaço justamente pelo voto proporcional de lista aberta e poderiam perder parte dessa vantagem no novo modelo.
Crítica a reformas feitas para uma eleição específica
Fernandes também vê problema em reformas pensadas como resposta ao resultado de um pleito determinado. Segundo ele, mudanças estruturais deveriam ser debatidas com um horizonte mais longo, e não com a expectativa de que os partidos saibam, de imediato, quem sairá ganhando. “Uma reforma que seja institucional para o país e não para reduzir o poder político de grupo A ou de grupo B”, defendeu.
Ainda não existe consenso sobre a proposta, e nada garante que ela avance. Para o professor, como a reforma altera as condições de disputa de todos os partidos, dificilmente passará sem uma negociação política ampla.
Editoria:
Redação Política
A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



