Vilarejo inglês de 358 habitantes vota para deixar o Reino Unido em protesto contra imigração

Moradores de Piddington aprovam separação simbólica do Reino Unido em protesto contra plano de abrigar mais de mil migrantes em base militar.

Moradores do vilarejo de Piddingon realizam votação simbólica

Os moradores de Piddington, um pequeno vilarejo rural no centro da Inglaterra, votaram pela separação do Reino Unido em um referendo simbólico realizado na última terça – feira (15). O protesto é uma reação direta aos planos do governo de abrigar mais de 1.000 migrantes em uma antiga instalação militar nas proximidades.

O resultado, anunciado na quarta – feira (16) por Susannah Parden, vice – presidente do conselho paroquial, foi uma maioria esmagadora: 285 votos a favor da autodeterminação como principado, 26 contra e um voto nulo, totalizando 312 cédulas. “Isso representa quase 92% dos votos emitidos”, disse Parden.

Apesar de não ter valor jurídico, a votação escancara as tensões crescentes sobre a imigração no Reino Unido.

Moradores temem impacto na rotina

O governo britânico planeja transferir até 1.250 homens adultos migrantes para a Bicester Garrison, uma base militar desativada perto de Piddington. O vilarejo, que segundo dados de 2021 da Diocese de Oxford tem apenas 358 habitantes, conta com uma igreja e um centro comunitário, mas não possui comércio local, agência dos correios ou um bar.

Tim McNally, presidente do conselho paroquial de Piddington, afirmou em coletiva de imprensa na quarta – feira que a proposta “poderia virar nosso vilarejo de cabeça para baixo”. Para ele, o referendo é “um exemplo da democracia em ação” e reflete uma frustração mais ampla com a política migratória. “Piddington não está fazendo isso apenas por si mesma.

O que aprendi nessa jornada é que há muitas, muitas pessoas na democracia”, declarou McNally.

Governo defende plano e busca diálogo

A ministra da Cultura, Lisa Nandy, disse ao programa BBC Breakfast que compreende as preocupações, mas argumentou que o problema é anterior à gestão atual. Ela citou sua experiência no distrito eleitoral de Wigan, onde hotéis foram abertos para abrigar requerentes de asilo sem aviso prévio. “Isso gerou desafios sérios”, afirmou. “Acho absolutamente correto e justo que eles expressem suas opiniões, e acho absolutamente correto que o governo ouça essas opiniões. Mas também precisamos aceitar que estamos utilizando todos os recursos à nossa disposição para eliminar o acúmulo de processos de asilo que herdamos.”

Leia também

O Conselho do Condado de Oxfordshire, que ainda não tomou a decisão final sobre o uso da Bicester Garrison, afirmou em comunicado à CNN que qualquer proposta “deve ser desenvolvida em parceria com as comunidades locais e os serviços públicos, com total transparência”.

O órgão reconheceu que os moradores têm dúvidas e prometeu continuar garantindo que “as preocupações e os impactos locais sejam plenamente compreendidos e considerados nas discussões com o governo”.

Já o Ministério do Interior do Reino Unido, por meio de um porta – voz, disse à CNN que “o governo está fechando todos os hotéis destinados a requerentes de asilo”. A estratégia é transferi – los para acomodações alternativas, incluindo antigas instalações militares “projetadas para serem autossuficientes, a fim de reduzir o impacto na comunidade local”.

O órgão afirmou ainda que dialoga com autoridades locais e forças policiais para garantir a segurança de todos.

Números da imigração e protestos

Dados do governo mostram que 101.900 pessoas solicitaram asilo no Reino Unido em 2025, o terceiro maior número já registrado em um ano civil. A oposição à política migratória tem se organizado: no fim de semana de 5 e 6 de setembro, duas grandes manifestações ocorreram.

Na primeira, homens mascarados bloquearam o tráfego no porto de Dover, na costa sul. No dia seguinte, centenas de manifestantes usando balaclavas entraram em confronto com a polícia em Portsmouth, depois que um pequeno barco com migrantes chegou à região.

A CNN também procurou o Conselho Paroquial de Piddington e o deputado local, Calum Miller, para comentários, mas não obteve retorno até o momento.