Mesmo após captura de Maduro, venezuelanos protestam por eleições livres em Caracas e mais cidades
Milhares de venezuelanos foram às ruas na quinta-feira (22) para exigir eleições livres e outras mudanças políticas. Foi o primeiro protesto da oposição em escala nacional em quase dois anos, com atos em Caracas e em cidades como Valência, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo.
A mobilização foi organizada pelo Vente Venezuela, movimento da líder opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado. Ela defende que a votação aconteça antes de julho de 2027. Até agora, nem o presidente dos EUA, Donald Trump, nem a presidente interina Delcy Rodríguez marcaram data para as eleições legislativas ou para a presidencial, embora ambos tenham prometido que elas vão ocorrer.
Governo interino atua em parceria com os Estados Unidos
Washington mantém colaboração próxima com o governo de Delcy Rodríguez desde janeiro, quando forças americanas capturaram Nicolás Maduro. O movimento socialista governa a Venezuela desde 1999, primeiro com Hugo Chávez e depois com Maduro.
No passado, o chavismo já mobilizou forças de segurança contra manifestantes que protestavam contra a repressão política, a inflação galopante e a piora dos serviços públicos, entre outros problemas.
Na mesma quinta-feira, o governista Partido Socialista chamou seus apoiadores para uma marcha entre a Plaza Venezuela, no centro de Caracas, e um ponto próximo ao palácio presidencial, em alusão ao mês de conscientização sobre o câncer de mama.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, conhecido pelos laços estreitos com os serviços de segurança, apareceu na TV estatal participando do ato. Diante disso, os opositores transferiram sua manifestação para um local próximo.
“Sei que é possível alcançar a mudança”, diz estudante
Em Maracay, no estado central de Aragua, a estudante de cosmetologia Leosmary Hernández, de 18 anos, comemorou a adesão aos protestos. “Vejo isso e fico feliz porque sei que é possível alcançar a mudança”, afirmou.
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Ela contou que, nos últimos anos, passou “por tantas coisas ruins, tantos problemas com o dólar, dificuldades para estudar”. E completou: “Tenho grandes expectativas para o meu país, pela nossa próxima governadora, a presidente María Corina”.
Negociações e presos políticos seguem no centro da disputa
Um grupo da oposição e o governo interino mantêm negociações apoiadas pelos Estados Unidos para reestruturar a Suprema Corte de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral, com o objetivo de garantir equidade nas próximas eleições. A última sessão ocorreu neste mês, mas as mudanças podem demorar.
O movimento de Machado não participa das conversas, embora ela tenha dito que não vai impedir seu andamento.
Os manifestantes também pediram a libertação de pessoas que, segundo eles, continuam presas por razões políticas. A organização Foro Penal, que defende opositores e outros detidos, muitas vezes acusados de traição à pátria, afirma que o país ainda tem mais de 320 presos políticos, mesmo após as solturas feitas neste ano com base em uma lei de anistia apoiada pelo Legislativo.
O governo venezuelano nega repetidamente manter presos políticos e afirma que a anistia é generosa.
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