Vendas de carros chineses caem 20% em julho, enquanto exportações crescem 88%
A queda nas vendas internas pressiona montadoras chinesas a intensificarem sua presença no exterior, buscando compensar a saturação do mercado local.
A indústria automotiva da China está se expandindo rapidamente no mercado internacional, conquistando espaço na Europa e no Sudeste Asiático. Esse crescimento pressiona montadoras tradicionais como a Toyota Motor e a Volkswagen. No entanto, a situação é diferente dentro do país, onde as vendas de carros caem continuamente desde o final do ano passado.
A queda é impulsionada pela fraca demanda dos consumidores e anos de intensa concorrência de preços, resultando em um mercado saturado.
Grandes montadoras chinesas como a BYD, a Geely e a Chery têm o objetivo de se tornar líderes globais. Contudo, analistas afirmam que a expansão do setor agora é motivada tanto por necessidades econômicas quanto por ambições maiores.
Desafios no mercado interno
Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas estão cada vez mais incentivadas a acelerar suas operações no exterior. Essa movimentação já estava em andamento e tende a intensificar ainda mais a pressão sobre as montadoras tradicionais, que enfrentam dificuldades para competir com os veículos elétricos chineses, que são tecnologicamente avançados e de baixo custo.
“As montadoras chinesas têm excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas e produtos cada vez mais sofisticados”, destacou Bill Russo, presidente – executivo da Automobility, uma consultoria baseada em Xangai.
Ele acrescentou que essa internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras do país.
Os dados revelam que as vendas de carros na China caíram 20%, totalizando 1,47 milhão de veículos em julho em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Este foi o décimo mês consecutivo de queda nas vendas, conforme informações divulgadas na terça – feira (11) pela Associação Chinesa de Veículos de Passageiros.
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Em contrapartida, as exportações cresceram 88%, alcançando 923 mil veículos.
Impacto econômico e perspectivas futuras
Cui Dongshu, presidente da associação mencionada, atribuiu essa fraqueza recente à alta nos preços dos combustíveis, o que diminuiu a demanda por veículos movidos a gasolina. Além disso, há uma desaceleração persistente no segmento de sedãs básicos.
Essa dinâmica reflete os desafios econômicos enfrentados pela segunda maior economia do mundo.
As fábricas em expansão e o aumento das exportações estão impulsionando o crescimento econômico da China, enquanto um mercado imobiliário fraco e gastos do consumidor em baixa restringem a demanda interna. Isso resulta em um cenário onde os formuladores de políticas precisam lidar com uma economia que produz mais do que consegue vender internamente.
No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao ano anterior. Isso representa uma diminuição significativa de 20%, equivalente ao total registrado no Japão durante o mesmo período. Em contraste, as exportações aumentaram em 71% no primeiro semestre.
Perspectivas para o futuro
A analista do HSBC Yuqian Ding acredita que a demanda doméstica pode se estabilizar e possivelmente começar a se recuperar entre agosto e setembro com o lançamento de novos modelos. Contudo, ela não acredita que essa recuperação será rápida ou fácil.
A BYD exemplifica esse cenário: apesar da queda de 35% nas vendas internas nos primeiros sete meses do ano, conseguiu aumentar suas vendas no exterior em 79% comparado ao mesmo período do ano anterior. Os mercados brasileiro e britânico destacam – se como os maiores destinos para seus veículos fora da China em 2026.
A crescente presença da indústria automotiva chinesa no exterior representa um desafio significativo para o Japão. Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos — um título anteriormente detido pelo Japão. Conforme explicou Russo: “A vantagem da China hoje é ampla e inclui eletrificação, baterias, software inteligente e desenvolvimento rápido de produtos.” Essa combinação pode tornar a globalização da China ainda mais disruptiva.