Mesmo sem o óleo chegar às usinas, vazamento nos Emirados ameaça a água, alerta Nidal Hilal

Um vazamento de petróleo na costa dos Emirados Árabes Unidos levou a restrições temporárias à pesca e ao acesso a várias praias. O episódio também acendeu alertas sobre o risco de contaminação ambiental e sobre possíveis impactos em estações de dessalinização.
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Segundo o professor sênior Simon Boxall, da Universidade de Southampton, a gravidade depende do tipo de petróleo e do volume derramado. A tecnologia de satélite ajuda a localizar manchas que flutuam no mar, mas não mostra a espessura da camada de óleo.
Qual é o nível de risco para o ambiente e a vida selvagem
Boxall explicou que o petróleo bruto é um produto natural e tende a se decompor no ambiente marinho, sobretudo em águas quentes como as do Golfo, em questão de poucas semanas. Ele ressalvou, porém, que um vazamento mais espesso traz mais óleo e pode causar danos mais graves ao atingir praias, o leito oceânico ou a costa.
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Para a vida selvagem, o risco pode ser fatal. Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), o petróleo bruto na água tira das aves a capacidade de repelir a água e pode comprometer o voo. Tartarugas marinhas e golfinhos podem confundir o óleo com alimento e inalar a substância, enquanto os peixes podem sofrer danos em órgãos e ovos.
Como o vazamento ameaça as estações de dessalinização
Boxall afirmou que as estações precisam ser desativadas assim que o petróleo se aproxima, para evitar a contaminação. Nidal Hilal, diretor do Centro de Pesquisa em Água da Universidade de Nova York em Abu Dhabi, disse que o risco pode existir mesmo sem o óleo chegar fisicamente às instalações.
A maior vulnerabilidade está na captação de água do mar, por onde a água bruta entra na unidade para ser tratada. Nos Emirados Árabes Unidos, onde a dessalinização sustenta o abastecimento de água potável, a preocupação central é que o petróleo alcance esses pontos e comprometa o tratamento, afirmou Hilal à Reuters.
Ele fez distinção entre três problemas: ameaça à qualidade da água, paralisação temporária da estação e danos físicos reais aos equipamentos.
O que pode ser feito e quanto tempo leva a recuperação
Para Hilal, a estratégia mais eficaz é montar várias camadas de proteção, em vez de depender de uma única medida. Segundo ele, as prioridades são impedir que o petróleo chegue às captações, proteger os equipamentos de tratamento e manter o fornecimento seguro de água potável.
O tempo de recuperação depende de a água contaminada ter entrado ou não na estação e de o incidente deixar incrustações persistentes ou danos nos equipamentos, explicou Hilal. O projeto da estação, além do tipo e da quantidade de petróleo, também pesa nesse cálculo.
Casos anteriores mostram danos duradouros
Estudos técnicos e episódios passados mostraram que a contaminação por petróleo pode interromper a dessalinização e até danificar equipamentos, observou Hilal. Um grande vazamento em 1991, durante a Guerra do Golfo, um dos maiores da história, paralisou várias estações na Arábia Saudita e no Kuwait e contaminou extensamente a costa.
“Décadas depois, ainda enfrentamos problemas de poluição decorrentes daquele incidente específico”, disse Boxall. Ele lembrou, porém, que aquele caso e o ocorrido no Golfo do México em 2010 tiveram proporções muito maiores, e disse que o vazamento nos Emirados não atingiu “nada daquela magnitude”.
Editoria:
Redação Internacional
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