Vânia Borges denuncia apostas online como “tráfico moderno

Vânia Borges critica apostas online como “tráfico moderno”, expondo perdas financeiras e violência familiar em Uberlândia.

03/07/2026 18:29

3 min

Vânia de Souza Borges ao centro ao lado de seu filho, Rafael
Vânia de Souza Borges ao centro ao lado de seu filho, Rafael

Aos 54 anos de idade, Vânia de Souza Borges vive uma realidade que ela descreve como um retrato da falha do Estado em prevenir tragédias anunciadas.

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Há dois anos, a professora moradora de Uberlândia, Minas Gerais, viu seu filho Rafael se tornar vítima das apostas online e acabou sendo forçada à condição de órfã às avessas — o relato é sobre os estragos causados pelo vício nas plataformas digitais.

O impacto moderno dos jogos clandestinos

Para todas as instâncias jurídicas, Vânia afirma categoricamente que sonhou com mais violência: “Eles são traficantes”. Segundo sua fala na época reportada pela Agência Pública, ela classifica essas atividades como uma modalidade moderna do tráfico.

Ela compara quem opera em bets a um trafica de cocaína penalizado por lei, pois ambas induzem pessoas ao erro até que elas percam tudo financeiramente.

A professora aponta para influenciadores e comercializadores dessas apostas online no centro das atenções criminais. Na prática, eles simulam o ganho exorbitante nessas plataformas digitais; contudo, essa riqueza não é real porque os responsáveis estão ganhando dinheiro “por trás”, sem necessariamente jogar ou arriscar capital próprio.

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Busca judicial após perda: CPI Bets 2024

Com esse objetivo claro — responsabilizar quem lucra com a desinformação —, Vânia de Souza Borges buscou apoio institucional em diversas frentes antes do grande evento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as bets realizado em Brasília nos anos anteriores.

Ela havia tentado obter ajuda junto à Polícia Civil mineira e também ao Ministério Público estadual. O relato dela foi compilado entre milhares de documentos acessados pela Agência Pública, sendo um dos arquivos que acompanhou o relatório final na esfera federal.

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O documento detalhando sua perda chegou arquivado no Senado Federal após os trabalhos da CPI das Bets serem concluídos; este fato marcou uma rejeição inédita há dez anos para a comissão parlamentar investigativa online. Apesar disso, segundo dados apresentados por essa mesma Comissão Parlamentar Investigatória (CPI), não houve indiciamento algum contra 16 responsáveis ligados às empresas ou influenciadores dessas apostas virtuais.

Os prejuízos causados pelo setor já atingiram números alarmantes: apenas em relação ao ano passado, as bets representaram R 360 bilhões nos orçamentos familiares brasileiros, conforme estimou o Centro de Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

A missão da professora Vânia

Mesmo vivendo a dor profunda pela perda que marcou sua vida desde então, ela segue atuando como educadora. Para lidar com os dias após essa tragédia familiar, conta ainda fazer acompanhamento médico regular e utilizar medicação para depressão enquanto compartilha abertamente histórias sobre família na tentativa de evitar um roteiro trágico comum aos grupos de apoio.

Vania explica seu trabalho em sala: “Eu lido com adolescentes… numa faixa etária muito propícia [para o vício], por isso eu tenho tentado dessa forma”, afirma.

A missão da professora vai além do ensino; é uma busca pessoal por justiça contra a desinformação que atinge famílias pelo país inteiro. Ela conclui sua fala reforçando esse compromisso ao dizer: “Meu filho não volta, mas existem os outros filhos ainda”.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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