Beatriz Borges Bastos enfrenta denúncia por racismo religioso em Minas Gerais

Um episódio de racismo religioso chocou movimentos e comunidades tradicionais afro em Minas Gerais após ocorrer durante as comemorações dos 15 anos do Programa estadual para a Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos.
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O caso envolveu Beatriz Borges Bastos, conhecida religiosamente como Makota Kandamean — que é trabalhadora no próprio programa —, na capital Belo Horizonte. A denúncia foi formalizada por coletivos religiosos nesta quinta – feira (2), classificando o ocorrido como uma grave violação contra os direitos humanos das matrizes africanas.
Detalhes da acusação em evento institucional
Segundo relatos colhidos pela própria vítima, makota kandamean participava do evento utilizando vestimentas e elementos tradicionais de sua fé religiosa durante um coffee break após a apresentação cultural de maracatu. O incidente começou quando ela se aproximou de uma mulher identificada com crachá pertencente à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese.
A servidora teria inicialmente perguntado sobre seu envolvimento no grupo que havia apresentado o maracatu; ao receber resposta negativa por parte dela, questionou – se então: “Ah, logo se vê, né?”, indagando também se Makota Kandamean era baiana.
O confronto religioso e as exigências
Em seguida, os fatos narrados apontam para um discurso profético. A funcionária da Sedese afirmou ter recebido uma mensagem divina (“Deus havia tocado seu coração”) com a intenção de prever algo à vítima em relação às suas práticas religiosas.
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Ela passou citar versículos bíblicos específicos no contexto do diálogo.
A servidora teria insistido que Beatriz Borges Bastos deveria retirar todas as vestimentas ligadas ao culto tradicional se quisesse “melhorar”, ou seja, ser mais próspera na vida pessoal: “Você há de melhorar, tirar essas roupas… você vai ver como sua vida vai prosperar”, disse ela para Makota Kandamean segundo o relato da própria denunciante.
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Recusa e consequências legais
Quando makota kandamean tentou sinalizar a adesão à outra religião em vez das práticas sugeridas pela servidora, os atos continuaram. A funcionária então pediu autorização formalmente com vista a abraçá – la — um ato que teria propósito “purificá – la” ou “limpá – la”.
O gesto foi recusado por Beatriz Borges Bastos; uma participante do evento precisou intervir para afastar Makota Kandamean dessa situação constrangedora.
Após o ocorrido no dia 30 de junho (em Belo Horizonte), ela registrou boletim de ocorrência e também protocolizou denúncias junto tanto à Ouvidoria quanto à Corregedoria do Estado de Minas Gerais. Movimentos sociais ligados aos povos tradicionais passaram desde então acompanhar os desdobramentos, cobrando providências das autoridades competentes.
Coletivo classifica ato como racismo religioso
Em reação ao episódio em um espaço dedicado justamente à promoção dos direitos humanos, Coletivo Povos e Comunidades de Tradição Religiosa Ancestral de Matriz Africana (PCTRAMA) lançou uma nota veemente classificando o incidente como claro caso de racismo religioso.
Essa manifestação reforçou que as vestimentas, símbolos ou práticas religiosas pertencem aos povos do terreiro não são meramente adornos. São consideradas expressões vivíssimas da ancestralidade, identidade cultural, senso de pertença e resistência.
O documento ressalta ainda a gravidade desse tipo de ataque: ele “não pode ser naturalizado, relativizado ou tratado apenas como mera divergência de opinião”. Segundo os signatários — incluindo Centro Cultural Bakise Bantu Kasanje e Associação dos Povos Tradicionais… —, atacar esses elementos representa uma violação direta contra direitos humanos fundamentais para séculos inteiros de memória afro – brasileira.
As entidades também exigiram apuração rigorosa por parte das autoridades estaduais envolvidas no caso. O coletivo concluiu sua manifestação afirmando que o racismo religioso é crime.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



