Ucrânia nomeia Yevhenii Khmara como novo ministro da Defesa em meio a crise política e protestos

A nomeação de Khmara ocorre em meio a protestos e crescente pressão sobre Zelensky, intensificados por acusações de corrupção no governo.

O recém-nomeado ministro da Defesa da Ucrânia, Yevhenii Khmara, participa de sessão do parlamento ucraniano, em 19 de agosto de 2026

Nesta quarta – feira, o parlamento da Ucrânia nomeou Yevhenii Khmara como novo ministro da Defesa, em um momento conturbado para o governo do presidente Volodymyr Zelensky. A decisão ocorreu poucas horas após a destituição de Mykhailo Fedorov, ex – ministro da Defesa, que provocou polêmica ao defender a realização de eleições durante a guerra com a Rússia.

A escolha de Khmara, ex – oficial das forças especiais, vem em meio a uma turbulência política significativa. O país enfrenta crescentes protestos após a demissão de Fedorov, de 35 anos, um reformista considerado por muitos como uma figura essencial no governo.

A pressão sobre Zelensky aumentou ainda mais quando as autoridades anticorrupção revelaram acusações contra um vice – chefe do gabinete presidencial, ligado a um suposto esquema de lavagem de dinheiro que movimentou US 3 milhões.

Desafios políticos e sociais

A saída de Fedorov do ministério em julho gerou protestos notáveis em tempos de guerra, evidenciando um descontentamento popular com a maneira como as mudanças foram comunicadas. Durante seu discurso na terça – feira (18), ele enfatizou que a Ucrânia está enfrentando uma crise de governança e que o processo democrático não deve ser subordinado aos interesses russos.

Vale lembrar que as eleições em tempo de guerra são proibidas pela legislação ucraniana.

Uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, realizada em 5 de agosto, indicou que 57% dos ucranianos acreditam que qualquer eleição deve ser realizada apenas após o término do conflito. Muitos consideram inadequado realizar votações enquanto centenas de milhares de soldados estão na linha de frente e cidades ucranianas continuam sob ataque constante.

Fedorov propôs a necessidade urgente de encontrar um “mecanismo legal, seguro e realista” para restaurar o processo democrático na Ucrânia mesmo diante da guerra prolongada. Embora não tenha revelado se pretende concorrer a alguma eleição futuramente, pesquisas sugerem que ele poderia vencer Zelensky em um eventual segundo turno.

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Reações nas ruas

As opiniões entre os cidadãos estavam divididas nesta quarta – feira. Ivan Hnatenko, manifestante presente em frente ao Parlamento antes da votação sobre Khmara, afirmou: “Por um lado, realizar eleições neste momento não é a melhor ideia. Por outro lado, isso pode ser visto como um ultimato ao presidente para reavaliar suas escolhas.”

Uma usuária do aplicativo Threads identificada como ‘tovita’ expressou sua frustração com Fedorov. Participante ativa dos protestos pedindo sua reintegração ao cargo, ela alertou sobre os riscos da situação: “Se isso for uma manobra eleitoral, será um desastre.”

Khmara já exerceu brevemente o cargo interino à frente do serviço de segurança SBU e foi escolhido por Zelensky após os protestos começarem. Conhecido por ser o mentor dos ataques profundos realizados pela Ucrânia no território russo, ele assume agora num cenário complicado onde Kiev luta para conter os avanços inimigos na linha de frente.

Os dois ministros anteriores permaneceram no cargo por apenas seis meses cada um, refletindo uma falta de consistência na gestão do ministério mais crucial do país.