Renan Santos classifica ação do MPF como “política de sabotagem” durante sabatina em Brasília

O candidato à Presidência da República, Renan Santos, do partido Missão, se manifestou nesta terça – feira (18) a respeito da ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra ele e o Movimento Brasil Livre (MBL). Durante uma sabatina no Conselho Nacional de Trânsito (CNT), em Brasília, Santos classificou a medida como uma “política de sabotagem” vinculada a uma deputada federal do PT.
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A ação judicial pede que Renan Santos e o MBL sejam condenados ao pagamento de R500 mil por supostos ataques direcionados aos povos indígenas do Baixo Tapajós, localizado no Pará. Segundo Santos, sua defesa se deu após críticas à invasão de “índios criminosos” na Cargill. “Estou sendo alvo do MPF no Pará por ter reclamado dessa situação.
Agora sou acusado de preconceito contra indígenas e ainda tenho que arcar com um pagamento de R 500 mil”, afirmou.
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Conteúdos questionados pelo MPF
O órgão também solicita uma retratação pública e medidas que impeçam novos conteúdos considerados ofensivos às comunidades indígenas.
Os vídeos em questão foram divulgados durante protestos ocorridos em Santarém, no oeste do Pará, onde lideranças indígenas se manifestavam contra a desestatização de hidrovias amazônicas.
De acordo com o MPF, Renan Santos fez declarações pejorativas sobre os indígenas, chamando – os de “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”. Ele também teria afirmado que os povos da região “vivem de mamata” e deveriam trabalhar. Para o Ministério Público, essas afirmações ultrapassam críticas legítimas aos protestos e configuram ataques generalizados aos povos indígenas do Baixo Tapajós.
O MPF ressalta que as declarações questionaram a identidade e a existência das comunidades que habitam historicamente a região.
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Impacto nas comunidades indígenas
Segundo informações do MPF, os conteúdos impactaram cerca de 22 mil indígenas nas cidades de Santarém, Belterra e Aveiro, representados pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita). Este conselho abrange 14 etnias: Arapiun, Arara Vermelha, Apiaká, Borari, Kumaruara, Jaraki, Maytapú, Munduruku, Munduruku – Cara Preta, Sateré Mawé, Tapajó, Tupaiú, Tupinambá e Tapuia.
A gravidade das ofensas é enfatizada pelo MPF considerando o histórico de conflitos territoriais e a invisibilidade enfrentada pelas comunidades indígenas na região. Além da remoção dos vídeos já publicados, o órgão pede que Renan Santos e o MBL sejam proibidos de veicular novos conteúdos ofensivos à identidade dessas comunidades.
Punições propostas pelo MPF
O Ministério Público Federal também exige que Renan Santos e o MBL publiquem um vídeo de retratação com duração mínima de 2 minutos e 57 segundos. Este material deve ficar em destaque nos perfis dos envolvidos por um período de 30 dias. Adicionalmente, eles devem divulgar conteúdos sobre a história, cultura e direitos dos povos indígenas do Baixo Tapajós ao longo de seis meses.
Esse conteúdo deverá ser fornecido ou aprovado pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns.
Por fim, o MPF solicita que ambos sejam condenados ao pagamento da indenização de R 500 mil pelos danos causados às comunidades indígenas. Caso a Justiça aceite essa solicitação, os recursos deverão ser destinados ao Cita para financiar projetos voltados à valorização cultural e à defesa dos territórios das 14 etnias representadas pela entidade.
A CNN Brasil entrou em contato com as equipes de Renan Santos e do MBL para obter comentários sobre a ação do MPF. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno; o espaço permanece aberto para manifestação.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



