Trump perde terreno entre latinos, e 69% votam em democratas para a Câmara nas eleições legislativas

Democratas ampliam em 28 pontos a votação entre hispânicos em relação a 2024, com viradas no Texas e no Kansas, mas a Flórida segue com Ashley Moody no Senado.

3 min

55629550562_1ea15edb2b_c | Foto: Reprodução/Opera Mundi

O apoio dos latinos a Donald Trump, decisivo para a vitória dele na Presidência dos Estados Unidos em 2024, perdeu força nas eleições legislativas realizadas na terça-feira (03/11).

Dois anos depois de registrar o melhor desempenho do republicano nesse segmento em quase meio século, o partido viu os democratas recuperarem terreno e ampliarem sua votação entre eleitores de origem hispânica.

Democratas avançam entre latinos e jovens

Projeções do The New York Times indicam que 69% dos latinos votaram em candidatos democratas para a Câmara dos Deputados. Em relação a 2024, a diferença chega a 28 pontos percentuais.

Nenhum outro grupo racial do levantamento teve uma oscilação tão forte. Entre os jovens de 18 a 29 anos, o avanço democrata somou 32 pontos.

Texas e Kansas registram viradas, Flórida não

No Texas, 70% desses eleitores preferiram democratas na disputa para o Senado, o que representa uma guinada de 42 pontos percentuais em dois anos. O resultado veio junto com a vitória de James Talarico, primeiro democrata eleito senador pelo estado em quase 40 anos.

No Kansas, a fatia democrata entre os latinos chegou a 75%, crescimento de 40 pontos sobre 2024. O pastor Adam Hamilton venceu a disputa para o Senado, algo que o partido não conseguia no estado desde 1932.

Na Flórida, o cenário foi outro. Os democratas tiveram 53% do voto latino, 20 pontos acima da eleição anterior, mas a republicana Ashley Moody garantiu a vaga no Senado. O estado tem uma das maiores comunidades latinas do país, com forte presença de cubano-norte-americanos, historicamente ligados ao Partido Republicano.

Leia também

Migração e custo de vida pesam na decisão

A movimentação chama atenção porque vai na contramão da estratégia republicana de ampliar sua presença entre os hispânicos. Em 2024, Trump atraiu uma parcela considerável desse público, que tradicionalmente pende para os democratas. A expectativa de que essa aproximação se mantivesse não se confirmou nas urnas.

Não há um motivo único para o recuo. A política migratória do governo Trump, marcada por prisões e deportações, aparece entre as fontes de descontentamento. Custo de vida e economia também ganharam espaço nas preocupações antes da votação.

Uma pesquisa do Pew Research Center apontou a economia como principal problema para os latinos. Já um levantamento da Atlas Intel identificou as medidas migratórias como a maior preocupação.

Salazar vence por cerca de mil votos

O desgaste atingiu até republicanos com raízes na própria comunidade. Na Flórida, María Elvira Salazar, deputada filha de cubanos e uma das latinas mais conhecidas do partido, conseguiu se reeleger por uma margem de cerca de mil votos. Em 2022, ela havia obtido 57% dos votos, e desta vez a distância para o adversário democrata ficou abaixo de um ponto percentual.

Diante do placar apertado, Salazar reconheceu que o partido precisava rever posições. Em discurso após a vitória, afirmou que os eleitores enviaram um recado sobre a economia e a imigração. “É preciso parar e pensar”, declarou.

O peso desse grupo é grande. O Pew Research Center estima que 39 milhões de latinos estejam aptos a votar nos Estados Unidos, cerca de 16% do eleitorado nacional. Aproximadamente 25% nasceram em países latino-americanos e obtiveram cidadania americana, enquanto os outros 75% nasceram nos Estados Unidos, filhos de latino-americanos.

Esses números não incluem os brasileiros. Mesmo o Brasil fazendo parte da América Latina, o Censo norte-americano usa critérios ligados à origem hispânica, e por isso os brasileiros ficam de fora da categoria. Pessoas originárias de países de língua espanhola, por outro lado, podem ser contabilizadas como hispânicas ou latinas.

A Redação Internacional reúne a cobertura do Clique Fatos sobre os principais acontecimentos fora do Brasil. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.