Trump nega escassez de suprimentos no porta-aviões USS Abraham Lincoln e critica CNN por “fake news

Trump defende condições a bordo do USS Abraham Lincoln, enquanto preocupações sobre a saúde mental da tripulação e a duração da missão se intensificam.

Porta-aviões americano USS Abraham Lincoln

O presidente dos EUA, Donald Trump, contestou nesta segunda – feira (17) notícias sobre a escassez de suprimentos e a baixa moral a bordo do porta – aviões USS Abraham Lincoln. Ele classificou as informações veiculadas pela CNN como “fake news” (notícias falsas.

Durante uma coletiva no Salão Oval, Trump afirmou que havia comida suficiente no navio, apesar de relatos de marinheiros e seus familiares à CNN sobre falta intermitente de alimentos, itens de higiene e problemas no sistema de água. “O Lincoln está lá fora há algum tempo, um bom tempo”, ressaltou o presidente.

Desde que deixou sua base em San Diego em novembro do ano passado, o porta – aviões já está em missão há mais de 250 dias. O navio foi redirecionado para o Oriente Médio para apoiar as operações dos EUA em meio às tensões com o Irã, situação que já dura seis meses.

Essa duração pode estabelecer um novo recorde de permanência mais longa longe da base para um porta – aviões americano desde a Guerra do Vietnã.

Condições da tripulação levantam preocupações

A situação do USS Abraham Lincoln gerou questionamentos sobre as condições enfrentadas por sua tripulação após relatos de marinheiros que supostamente caíram no mar. O porta – aviões está há meses longe de sua base e não fez escalas prolongadas em portos.

Isso levantou preocupações entre familiares de militares e parlamentares democratas sobre os impactos da missão na saúde mental dos tripulantes.

De acordo com uma autoridade americana, uma troca de grupo de ataque estava prevista e não foi necessariamente motivada pelos incidentes com a tripulação. A CNN relatou pelo menos duas ocorrências envolvendo integrantes do grupo de ataque do Lincoln nos últimos meses.

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Em agosto, um marinheiro teria pulado ao mar por questões relacionadas à saúde mental, sendo rapidamente resgatado e avaliado medicalmente. Outro incidente envolveu um marinheiro do USS Frank E. Petersen Jr., que também caiu no mar e foi atendido antes de ser transportado para cuidados adicionais.

Além desses episódios isolados, veículos especializados como Stars and Stripes e Navy Times relataram várias tentativas por parte da tripulação de pular no mar, citando relatos tanto de marinheiros quanto de familiares.

Reações oficiais

A principal preocupação gira em torno da duração da missão. O Lincoln já acumulou mais de 250 dias sem atracar em um porto desde sua saída de San Diego. O senador democrata Richard Blumenthal destacou que isso representa um recorde moderno para dias consecutivos no mar para um porta – aviões americano.

Marinheiros e suas famílias afirmam que esse prolongado período longe da terra provocou exaustão e agravou problemas mentais entre os integrantes da tripulação.

A Marinha refutou a ideia de uma crise crescente a bordo. Uma autoridade afirmou que não houve aumento nas tentativas ou ideação suicida entre os marinheiros e destacou que profissionais religiosos, médicos e especialistas em saúde mental estão disponíveis para apoio aos militares.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também desqualificou os relatos sobre as condições do Lincoln, afirmando que as informações foram “totalmente distorcidas”. Ele enfatizou que o governo garante os recursos necessários para os navios durante as missões.

Substituição pelo USS George Washington

Trump rejeitou as preocupações levantadas por familiares dos militares a bordo do Lincoln sobre as condições enfrentadas pela tripulação. Quando questionado sobre a saúde mental dos marinheiros, ele afirmou: “Não, não estão”. O presidente confirmou ainda que o Lincoln deixará a região em breve para ser substituído pelo porta – aviões USS George Washington.

O USS George Washington completou uma visita ao Vietnã em 5 de agosto e está atualmente a caminho do Oriente Médio. Embora aumentem os questionamentos sobre o bem – estar da tripulação do Lincoln, uma autoridade americana informou à CNN que essa troca já estava planejada antes das atuais controvérsias.

Impacto psicológico das longas missões

Cair ao mar acidentalmente não é algo inédito em navios militares, que frequentemente lidam com questões relacionadas à saúde mental entre suas tripulações. No entanto, o caso específico do Lincoln chamou atenção devido à combinação entre os incidentes reportados, a excepcional duração da missão e relatos sobre o impacto psicológico desse período prolongado no mar.

Enquanto parlamentares democratas buscam explicações junto ao Pentágono sobre essas situações, autoridades militares e membros da Casa Branca negam que haja uma deterioração generalizada das condições a bordo do porta – aviões. A mudança pelo USS George Washington deverá encerrar uma das missões mais longas até agora do Lincoln.

Comissionado em 1989, o USS Abraham Lincoln é parte da classe Nimitz da Marinha dos EUA. Com quase 335 metros de comprimento e pesando mais de 100 mil toneladas, esses porta – aviões são alguns dos maiores navios de guerra existentes atualmente. O Lincoln é equipado com dois reatores nucleares e possui capacidade para levar até 90 aeronaves.