Marinheiros do porta-aviões USS Abraham Lincoln pulam ao mar e geram preocupações sobre saúde mental

O porta – aviões USS Abraham Lincoln, atualmente operando no Oriente Médio em apoio às ações dos Estados Unidos na guerra contra o Irã, enfrenta uma série de questionamentos sobre as condições de sua tripulação. Relatos indicam que marinheiros teriam caído no mar, levando familiares e parlamentares democratas a expressarem preocupações sobre o impacto prolongado da missão na saúde mental dos militares.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O navio está há meses sem escalas prolongadas em portos, e essa situação gera um clima de apreensão entre os parentes dos tripulantes.
Uma autoridade americana esclareceu que a troca do grupo de ataque do Lincoln já estava prevista e não foi diretamente motivada pelos incidentes envolvendo a tripulação.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Incidentes com a tripulação
A CNN reportou pelo menos duas ocorrências recentes envolvendo membros da equipe do Lincoln. Em agosto, um marinheiro teria pulado ao mar em um episódio relacionado à saúde mental, sendo rapidamente resgatado e avaliado por médicos. Outro incidente foi registrado com um marinheiro do USS Frank E.
Petersen Jr., um contratorpedeiro que faz parte do grupo de ataque do Lincoln. Ele caiu no mar e também foi resgatado, recebendo atendimento médico antes de ser transportado de avião para cuidados adicionais. Não ficou claro se sua queda foi acidental ou intencional.
Além desses casos, veículos especializados como Stars and Stripes e Navy Times relataram várias tentativas de membros da tripulação de pular ao mar, citando testemunhos de marinheiros e familiares a bordo.
Duração da missão preocupa especialistas
A principal preocupação gira em torno da duração da missão do Lincoln. Desde que deixou San Diego em novembro do ano passado, o navio acumula mais de 250 dias em operação. Redirecionado para o Oriente Médio para apoiar as ações americanas contra o Irã, o Lincoln passou mais de 200 dias sem atracar em um porto — um recorde moderno para missões consecutivas no mar.
Leia também
De acordo com o senador democrata Richard Blumenthal, esse período extenso longe da terra pode ter contribuído para exaustão e agravamento de problemas de saúde mental entre os tripulantes.
A Marinha, por sua vez, refuta a ideia de uma crise crescente a bordo. Uma autoridade destacou que não foram observados aumentos significativos nas ideações suicidas ou tentativas durante a missão e reforçou que profissionais religiosos, médicos e especialistas em saúde mental estão disponíveis para atender os militares.
Pentágono reage às críticas
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, desqualificou os relatos sobre as condições no Lincoln, afirmando que as informações sobre uma deterioração nas condições foram “totalmente distorcidas”. Ele garantiu que os navios têm recursos adequados durante as operações e elogiou a dedicação dos militares que permanecem longos períodos em alto – mar.
Na sexta – feira (14), o presidente Donald Trump também minimizou as preocupações levantadas por familiares dos militares no Lincoln. Questionado sobre a saúde mental e as condições de vida da tripulação, Trump respondeu: “Não, não estão”.
Ele confirmou ainda que o Lincoln deixará a região para dar lugar a outro porta – aviões.
Substituição do grupo de ataque
O Pentágono anunciou que o grupo de ataque do USS George Washington irá substituir o Lincoln. O porta – aviões concluiu uma visita ao Vietnã em 5 de agosto e está atualmente a caminho do Oriente Médio. A data exata da chegada ainda é incerta. Segundo uma fonte da CNN, essa mudança já estava programada antes das recentes preocupações sobre o bem – estar da tripulação, embora não tenha sido confirmada como resposta aos episódios relatados.
Desafios enfrentados pelo USS Abraham Lincoln
Embora incidentes envolvendo marinheiros caindo no mar não sejam incomuns, os desafios enfrentados pelo Lincoln são notáveis devido à combinação dos relatos recentes com a longa duração da missão e os impactos psicológicos associados ao tempo prolongado no mar.
Parlamentares democratas exigem explicações do Pentágono enquanto autoridades militares e da Casa Branca negam qualquer degradação generalizada das condições a bordo.
A substituição pelo USS George Washington deve marcar o fim de uma das missões mais longas do Lincoln, que continua no centro das discussões sobre os limites impostos às tripulações americanas durante conflitos no Oriente Médio.
Características do USS Abraham Lincoln
Comissionado em 1989, o USS Abraham Lincoln é o quinto dos dez porta – aviões da classe Nimitz da Marinha dos EUA. Com quase 335 metros de comprimento e um deslocamento superior a 100 mil toneladas, esses porta – aviões estão entre os maiores navios de guerra do mundo.
O Lincoln possui dois reatores nucleares que alimentam quatro turbinas a vapor, permitindo uma velocidade máxima aproximada de 56 kmh.
A bordo estão mais de cinco mil marinheiros responsáveis por operar suas 90 aeronaves, incluindo caças F-35 e FA-18. Os jatos são lançados utilizando quatro catapultas a vapor capazes de acelerar aeronaves até 290 kmh em apenas três segundos. O porta – aviões também produz água doce através de unidades de destilação que geram mais de 1 milhão e quinhentos mil litros diariamente a partir da água do mar.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



