Trump discursa por 90 minutos em comícios e esbarra na gasolina a US$ 4,27 o galão, 40% mais cara

Com as Midterms marcadas para 3 de novembro, Trump promete gasolina mais barata quando a “guerra com o Irã” acabar.

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Trump participa de comício antes das Eleições de Meio de Mandato.

O presidente Donald Trump intensificou a campanha pelo país antes das Eleições de Meio de Mandato, as Midterms, marcadas para 3 de novembro. Ele realiza comícios quase diários para levar eleitores às urnas em favor dos republicanos, que tentam manter o controle do Congresso.

Nos discursos, que duram 90 minutos, Trump defende a política econômica do governo, exalta o tamanho das multidões e ironiza manifestantes. Ele também fez comentários sobre as nádegas de um colega republicano. A maior parte das aparições acontece em áreas de forte apoio republicano.

Discurso econômico esbarra no preço da gasolina

No início do mês, Trump admitiu ter feito um “mau trabalho” para explicar seu desempenho econômico. Nos comícios, ele tenta corrigir essa falha ao citar a taxa de pobreza em nível historicamente baixo, o desemprego reduzido, recordes no mercado de ações e preços mais baixos para alguns alimentos.

Só que a fala do presidente bate de frente com a rotina do eleitor, que sente o peso do combustível, das compras no supermercado e das demais despesas. Os preços ao consumidor subiram mais rápido em setembro, puxados pela disparada da gasolina. O preço médio do combustível nos EUA chega a US$ 4,27 por galão (US$ 1,13 por litro), cerca de 40% mais caro do que há um ano, segundo a AAA.

Trump vem repetindo que a gasolina vai baratear assim que a “guerra com o Irã” acabar. Do lado de fora de um comício na zona rural do Kansas, o descompasso ficou visível. O veterano militar Chester Daniel, de 90 anos e apoiador de Trump, disse que a economia ainda tem “um longo caminho a percorrer” até beneficiar os trabalhadores.

“Preços? Altos demais! Nunca voltaremos aos patamares de quando tudo isso começou, mas eles precisam cair bastante”, afirmou Daniel. “Não sei como esses jovens conseguem sustentar suas famílias.”

Republicanos se fecham em redutos e evitam campos de batalha

O roteiro de viagens mostra o tamanho do desafio para o partido. Mesmo em redutos conservadores, Trump precisa jogar na defensiva. Ele foi duas vezes ao Texas para apoiar Ken Paxton, candidato republicano ao Senado, e fez campanha no Kansas para o senador republicano em exercício Roger Marshall.

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Em Ohio, esteve por duas vezes ao lado do senador Jon Husted.

Trump também subiu em palanques de candidatos em disputas apertadas no Alasca, Iowa, Montana e Carolina do Sul. Está programada ainda uma visita ao Mississippi na segunda-feira (26). Na prática, são estados onde os republicanos costumam vencer com folga, e não os campos de batalha que um presidente normalmente visita nas semanas decisivas.

As pesquisas mostram cenários diferentes. Paxton aparece levemente atrás do democrata James Talarico. Já Marshall tem pela frente um adversário difícil, o democrata Adam Hamilton, num estado que não elege um senador do partido há quase um século.

Em Ohio, Husted está atrás do ex-senador democrata Sherrod Brown. Em Iowa, a republicana Ashley Hinson disputa voto a voto com o democrata Josh Turek.

Chama atenção a ausência, até agora, de Michigan, Maine, Minnesota e New Hampshire, estados com disputas acirradas pelo Senado. A menos de duas semanas das Midterms, a agenda ainda não incluiu esses locais. Há uma viagem marcada para Michigan no domingo, e Trump também mencionou planos de ir ao Maine.

Tamanho da plateia vira argumento de força

Trump transformou o público dos comícios em tema recorrente. Ele descreve arenas lotadas e milhares de pessoas que, na versão dele, ficaram do lado de fora. Para o presidente, isso prova que a popularidade segue firme. Na prática, a presença nos eventos das últimas semanas tem sido irregular.

Alguns comícios encheram, mas sem sinal da multidão excedente descrita por Trump. Em outros, setores inteiros de cadeiras ficaram vazios, mesmo em locais de porte modesto. “Faço isso todas as noites e, não importa aonde eu vá, é sempre a mesma coisa. São multidões enormes”, disse Trump em um comício na Carolina do Norte, na terça-feira. “Temos telões do lado de fora. Milhares e milhares de pessoas. Há algo muito especial acontecendo.”

No local, a arena estava cheia, mas não havia gente do lado de fora esperando para entrar nem acompanhando o evento pelos telões. Em um comício realizado no dia 7 de outubro em San Antonio, no Texas, Trump afirmou que as filas se estendiam por duas milhas (aproximadamente 3,2 km), embora houvesse grandes áreas vazias dentro da arena.

O número de pessoas em um evento nem sempre mostra apoio político de verdade. Mesmo assim, Trump usa esse dado como sinal de força, apesar de a aprovação dele ter caído para 31%, o menor patamar de todo o mandato, segundo pesquisa Reuters Ipsos divulgada na semana passada.

Trump não é candidato nas eleições de 3 de novembro. Para os republicanos, a dúvida é se o entusiasmo que ele desperta vai virar votos.

França e físico entram no repertório de campanha

Trump costuma usar o presidente francês, Emmanuel Macron, como contraponto nos discursos. Ele afirma ter pressionado Macron, com ameaça de tarifas sobre o champanhe e outros bens franceses, a elevar os preços de medicamentos prescritos na França. Na última semana, porém, ele mudou o enredo e passou a apresentar os distúrbios violentos no país como um alerta do que poderia acontecer nos EUA caso os democratas vençam as eleições de meio de mandato.

Trump atribuiu os distúrbios a imigrantes e muçulmanos, em uma estratégia que marca sua atuação política há mais de uma década. “Que diabos aconteceu com a França?”, perguntou a uma multidão em uma arena de competições agropecuárias em Clemson, na Carolina do Sul, na quarta-feira.

Ao mesmo tempo, ele deu menos espaço à invasão da Ucrânia pela Rússia e à “guerra” contra o Irã, dois problemas de política externa que ainda não resolveu.

Sobre esses dois conflitos, Trump disse no comício em Clemson: “Eles vão acabar, de um jeito ou de outro”. Não explicou como isso aconteceria, mas reclamou de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz pelos esforços de resolução de conflitos no mundo.

A aparência física também ganhou espaço. Nesta temporada, Trump tem dado atenção especial a Husted, ex-jogador de futebol americano universitário da Universidade de Dayton, de 59 anos. Em comícios em Ohio, Kentucky e Carolina do Norte, ele elogiou o físico do senador e chegou a comparar os glúteos dele a “um amontoado de músculos”.

Trump também relatou que os ombros de Husted pareciam “um pedaço de aço”.

Na sexta-feira, Trump fez elogio parecido a Robert F. Kennedy Jr., seu secretário de Saúde e Serviços Humanos. Em um comício na Flórida, disse que o político de 72 anos “tem o corpo de alguém de 30 anos”. Esse tipo de comentário já faz parte do repertório dele, que também contou uma história grosseira sobre o golfista Arnold Palmer durante a reta final da campanha de 2024.

Trump ainda criticou o estilo de Paxton, a quem chamou de desleixado. “Eu não gosto”, afirmou na convenção republicana em Dallas, em meados de setembro. Mesmo assim, fez campanha para ele. Trump volta ao Texas na terça-feira (27) para dois novos comícios.

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