Trump diz que está reavaliando a posição dos EUA sobre as Ilhas Malvinas

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda – feira (31), no Salão Oval, que está reavaliando a posição dos Estados Unidos sobre as Ilhas Malvinas, arquipélago sob domínio britânico no Atlântico Sul. A declaração foi dada a repórteres após uma pergunta sobre a soberania da região, chamada de Malvinas pelos argentinos e de Falkland pelos britânicos.
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“Eu sempre reavalio todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas”, afirmou Trump. Ele não esclareceu se a análise poderá levar a uma mudança na postura americana, que, em geral, evita tomar partido na disputa desde 1982.
Argentina também reivindica o arquipélago
A Argentina, liderada por Javier Milei, aliado de Trump, mantém a reivindicação sobre as ilhas. Uma eventual alteração na política dos Estados Unidos apareceu entre as opções analisadas pelo Pentágono no início deste ano para pressionar aliados da Otan que, segundo ele, não apoiaram as operações militares na guerra contra o Irã.
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As Ilhas Malvinas, nome usado na Argentina, ou Falklands, como são chamadas no Reino Unido, ocupam uma área de 11.718 km² no Atlântico Sul. O arquipélago fica a cerca de 600 km da costa da Argentina, tem clima frio e reúne mais de 3.000 habitantes.
A população inclui descendentes dos primeiros colonos que chegaram depois que o Reino Unido assumiu o controle à força, em 1833, imigrantes e soldados instalados em uma base no Monte Agradable, chamado de Mount Pleasant pelos britânicos. A posição das ilhas no Oceano Atlântico e a presença de recursos naturais ajudam a explicar seu valor estratégico, que também envolve a perspectiva de exploração de petróleo.
Disputa começou antes da guerra de 1982
O Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirma que integrantes da expedição do navegador português Fernando de Magalhães, a serviço da Espanha, descobriram as ilhas em 1520. A chancelaria argentina sustenta que o arquipélago foi registrado na cartografia europeia sob controle espanhol, com base nas Bulas Papais e no Tratado de Tordesilhas de 1494.
O Reino Unido apresenta outra versão e atribui a descoberta ao navegador inglês John Davies, em 1592. As partes, porém, convergem sobre o primeiro nome dado às ilhas: em 1600, o navegador holandês Sebald van de Weert as chamou de “Sebaldinas”. Em 1692, o capitão inglês John Strong desembarcou na região e batizou o estreito entre as duas maiores ilhas como Falkland Sound (Estreito de Falkland), em homenagem ao Visconde de Falkland.
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A colonização começou com os franceses, que fundaram Puerto Luis em 1764. Como os marinheiros vinham de Saint – Malo, na França, as ilhas receberam o nome de Les Malouines, origem da denominação espanhola Las Malvinas.
A Espanha negociou com a França a transferência de Puerto Luís e passou a exercer controle sobre as Ilhas Malvinas. Em 1811, durante as revoluções de independência na América Latina, retirou – se da área. O governo das Províncias Unidas do Río de la Plata reivindicou os direitos territoriais espanhóis e, em 1820, passou a exercer soberania sobre o arquipélago.
Treze anos depois, em 1833, o Reino Unido expulsou o governador e a guarnição que estavam no local e assumiu o controle das ilhas. O território passou a integrar os atuais 14 Territórios Ultramarinos Britânicos.
Resolução da ONU e guerra entre Argentina e Inglaterra
A Argentina continuou a contestar a soberania britânica. A questão ganhou força depois da Segunda Guerra Mundial, durante o processo de descolonização promovido pela ONU em 1960. Em 1965, a resolução 2.065 das Nações Unidas reconheceu especificamente a disputa e convocou as partes a negociar, relacionando o caso à resolução 1.514.
“Os britânicos interpretam esta resolução, segundo a carta da ONU, a partir da autodeterminação, e os argentinos, também segundo a carta da ONU, da integridade territorial”, explicou Alejandro Corbacho, especialista na e diretor do Observatório de Segurança e Defesa da Universidade Cema.
O conflito armado começou em 2 de abril de 1982, com a batalha de Wireless Ridge. As forças argentinas desembarcaram nas ilhas, tomaram a capital, Puerto Argentino, chamada de Port Stanley pelos britânicos, e derrotaram uma pequena guarnição do Reino Unido.
Os Estados Unidos apoiaram rapidamente o Reino Unido, seu aliado na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Alemanha, Itália, França, Japão e Canadá também demonstraram apoio. Sob o comando da então primeira – ministra Margaret Thatcher, os britânicos enviaram uma frota, com dois porta – aviões, para retomar o arquipélago.
Os combates duraram 74 dias, com confrontos terrestres em torno de Pradera del Ganso, conhecida como Green Goose pelos britânicos, e Puerto Argentino, além de batalhas aeronavais. Um submarino britânico afundou o cruzador argentino ARA Belgrano, enquanto aviões argentinos destruíram os navios britânicos HMS Sheffield e HMS Antelope, entre outros.
Em 14 de junho de 1982, os argentinos em Puerto Argentino se renderam às tropas britânicas. A guerra terminou com a morte de cerca de 650 militares argentinos e 255 britânicos.
Posição britânica sobre o futuro das ilhas
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido citou um referendo realizado em 2013. Na consulta, “os habitantes das Ilhas Falkland votaram esmagadoramente para manter o seu estatuto de território ultramarino autônomo do Reino Unido”.
Em 2024, James Cameron, então chanceler do Reino Unido, visitou as Malvinas. A posição britânica continua baseada no status de território ultramarino autônomo e no resultado apresentado pelo governo do Reino Unido.
Autor(a):
Pedro Santana
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.



