Trump critica Cuba e levanta questões sobre estratégia dos EUA em declaração impactante

Declaração de Donald Trump sobre Cuba
Na quarta-feira (20), Donald Trump afirmou que os americanos “não vão tolerar um estado-pária que abrigue operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas noventa milhas da pátria norte-americana”. Essa declaração foi feita no mesmo dia em que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos formalizou uma acusação relacionada a um crime ocorrido há 30 anos.
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A analista de Relações Internacionais, Fernanda Magnotta, comentou que não está claro qual seria o objetivo central dessa ação do ponto de vista dos Estados Unidos. “Cuba não representa, do ponto de vista econômico ou de negócios, nenhuma grande oportunidade, pelo menos não óbvia, para os Estados Unidos”, declarou Magnotta durante sua participação no CNN 360º.
Movimentação Simbólica
Segundo a analista, essa movimentação pode ter um caráter mais simbólico do que estratégico. “Talvez fosse uma chance de criar legado ou de promover alguma ação significativa em termos hemisféricos. Um efeito mais simbólico do que qualquer outra coisa”, avaliou.
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Magnotta também ressaltou que quem historicamente defende a mudança de regime em Cuba é um grupo que construiu sua trajetória política na Flórida com forte apoio da comunidade cubano-americana.
Criminalização de Lideranças
Fernanda Magnotta traçou um paralelo entre a situação em Cuba e o caso da Venezuela. Em janeiro, uma grande operação norte-americana resultou na captura e prisão de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. “Na prática, essa criminalização de lideranças pelo sistema judicial americano é uma saída que os EUA parecem ter encontrado para conseguir incidir sobre países sem necessariamente sofrerem a acusação de terem promovido uma intervenção no Estado”, explicou.
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Contudo, a analista destacou diferenças significativas entre os dois casos. Segundo ela, Cuba possui um aparato estatal e militar mais consolidado do que a Venezuela, mesmo enfrentando sérios problemas, como escassez de combustível, apagões e dificuldades no fornecimento de alimentos.
Além disso, Cuba mantém alianças estratégicas com potências como China e Rússia, o que torna o cálculo de uma eventual ação americana ainda mais delicado. “Existe uma coesão aparente em relação ao regime e capacidade de reação militar, até pela proximidade geográfica com os Estados Unidos, que leva a um cálculo mais cuidadoso no caso da ação sobre Cuba”, concluiu Magnotta.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



