Governo cubano rebate acusações dos EUA contra Raúl Castro e defende suas ações históricas

Governo cubano condena acusações dos EUA contra Raúl Castro
Na quarta-feira (20), o governo de Cuba expressou sua forte reprovação à “acusação desprezível” feita pelos Estados Unidos contra o ex-presidente Raúl Castro. Em um comunicado divulgado online e lido na TV estatal, o governo cubano classificou a ação como um “ato desprezível e infame de provocação política”.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O texto ressalta que os EUA distorceram os fatos relacionados ao incidente que resultou na morte de americanos, mencionado na acusação contra Castro.
Cuba defendeu a derrubada dos aviões, afirmando que a ação foi uma resposta às repetidas queixas ignoradas pelos EUA sobre incursões em seu espaço aéreo. O comunicado enfatizou que é “extremamente cínico” que essa acusação venha do mesmo governo que, segundo o texto, assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico, utilizando força militar desproporcional.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Acusações dos EUA e contexto histórico
Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre Cuba, e nesta quarta-feira (20), o governo de Donald Trump anunciou acusações criminais contra Raúl Castro, incluindo conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de uma aeronave e assassinato.
A denúncia, que também envolve outros réus, foi apresentada em 23 de abril. O atual presidente de Cuba declarou que as acusações são infundadas e sem base legal.
Leia também
O caso remonta a 24 de fevereiro de 1996, quando jatos cubanos abateram dois pequenos aviões do grupo Irmãos ao Resgate, resultando na morte de quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos. Cuba alegou que as aeronaves estavam em seu espaço aéreo, enquanto os EUA sustentaram que estavam sobre águas internacionais.
A Organização da Aviação Civil Internacional posteriormente corroborou a posição dos EUA, afirmando que o ataque ocorreu em águas internacionais.
Histórico do grupo Irmãos ao Resgate
O grupo Irmãos ao Resgate, fundado por cubano-americanos em Miami, tinha como missão auxiliar cubanos que tentavam fugir do regime comunista. Durante o início de 1996, Cuba acusou o grupo de lançar panfletos sobre Havana, enquanto o líder José Basulto afirmou que os panfletos foram lançados em espaço aéreo internacional e levados pelo vento até Cuba.
Após o incidente, Fidel Castro declarou que não havia dado ordens específicas para abater os aviões, mas que os militares agiram conforme “ordens permanentes”. Juan Pablo Roque, ex-integrante do grupo, alegou que os pilotos sobrevoaram o espaço aéreo cubano para coletar informações e planejar contrabando de armas, mas autoridades americanas consideraram essas alegações como propaganda.
Reação dos EUA e sanções
Após o abate dos aviões, o então presidente Bill Clinton impôs sanções, incluindo a suspensão de voos fretados e restrições à circulação de diplomatas cubanos, buscando também a cooperação do Congresso para endurecer o embargo comercial contra Cuba.
Contudo, o governo Clinton não apresentou acusações criminais contra os irmãos Castro. Em 2003, o Departamento de Justiça acusou três oficiais militares cubanos, mas eles nunca foram extraditados.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



