Trump considera tarifas de 25% sobre produtos brasileiros; Lula reage e aguarda telefonema

Relatório do governo Trump sugere tarifas sobre produtos brasileiros
O governo de Donald Trump publicou um novo relatório que indica a possibilidade de tarifas de 25% sobre produtos do Brasil. O documento, elaborado pelo USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), menciona práticas comerciais e políticas consideradas injustas para os americanos, citando o Pix e a regulamentação de grandes empresas de tecnologia como exemplos.
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Em resposta ao anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que aguarda um telefonema de Trump para discutir a proposta. Lula recordou a declaração de Trump sobre uma “química” entre eles e afirmou que o anúncio não condiz com o que foi acordado no último encontro, realizado em maio. “Nós daqui não temos medo de cara feia.
Nós não queremos guerra com ninguém. Nós queremos paz e queremos ser respeitados”, afirmou Lula.
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Lula contesta tarifas e defende o Pix
Lula também defendeu o Pix, descrevendo-o como “uma invenção brasileira” que “beneficia o povo brasileiro”. Ele ressaltou que não houve sua concordância nem a de Trump, uma vez que ambos haviam estabelecido um prazo de 30 dias — até 15 de julho — para que seus ministros negociassem. “Estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu na sua ausência e na minha ausência, porque esse acordo não pode ter a sua anuência”, disse, dirigindo-se diretamente a Trump.
Possibilidade de reversão das tarifas
A advogada Soraia Mendes acredita que o Brasil possui força para reverter as novas tarifas. Segundo ela, essa medida também é prejudicial à economia dos Estados Unidos e pode trazer “dividendos eleitorais negativos” para Trump, impactando os interesses do Partido Republicano em se manter no poder.
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Soraia destacou a postura soberana do Brasil durante o primeiro tarifaço, lembrando que o setor do agronegócio foi amplamente defendido pelas negociações realizadas pela diplomacia brasileira.
“O agro não deve nada, absolutamente nada, neste último período em função das negociações que foram feitas de forma altiva pelo Brasil”, afirmou Soraia. Ela também mencionou que, no mesmo dia do anúncio do novo tarifaço, houve uma conversa que pode ter influenciado o resultado das tarifas, sugerindo que isso não se deveu apenas às tratativas oficiais entre os dois governos.
Críticas à narrativa ideológica
O empresário Leonardo Bortoletto também acredita na possibilidade de reversão do tarifaço, mas fez ressalvas importantes. Para ele, a reversão do primeiro tarifaço foi principalmente resultado da visita de empresários, muitos deles do agronegócio, e não da articulação política do governo.
Bortoletto destacou que o novo tarifaço terá um impacto inflacionário menor sobre a economia americana do que o anterior, o que pode dificultar sua reversão devido à pressão interna nos Estados Unidos.
Ele enfatizou que o debate sobre o tema deve ser conduzido com maturidade e sem viés ideológico. “A ideologia é muito pequena perante esse assunto que nós estamos tratando”, afirmou. Bortoletto alertou que, independentemente do resultado das eleições, o Brasil precisa enfrentar problemas concretos como o custo de vida, a segurança pública e a corrupção. “Nós temos um país para consertar”, concluiu.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



