Trump apresenta plano para Gaza que condiciona retirada de Israel ao desarmamento do Hamas

A proposta de Trump busca um cessar-fogo em Gaza, mas enfrenta resistência de Israel, que condiciona a retirada ao desarmamento total do Hamas.

16/08/2026 07:10

4 min

Soldados israelenses organizam equipamentos militares em veículos blindados perto da fronteira com Gaza, no sul de Israel, em 6 de agosto
Soldados israelenses organizam equipamentos militares em veículo...

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou um novo plano para encerrar a guerra em Gaza. O projeto exige que o Hamas deponha as armas enquanto Israel se retira do território. Embora os termos sejam apoiados pelo grupo armado, Israel rejeitou a proposta, afirmando que não irá recuar até o desarmamento total do Hamas.

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No dia 30 de julho, Trump anunciou o que considerou um avanço nas negociações para um cessar – fogo previsto para 2025. O presidente afirmou que o Hamas e outros militantes de Gaza aceitaram um roteiro de 15 pontos elaborado pelo seu “Conselho de Paz” para entregar suas armas.

Essa iniciativa visa reduzir a violência na região, mas ainda não conseguiu interromper os ataques israelenses nem garantir o desarmamento dos militantes — questões centrais das longas negociações realizadas no Cairo.

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Principais pontos do roteiro para Gaza

O roteiro estabelece que tanto Israel quanto o Hamas devem cessar imediatamente “todas as operações militares” em Gaza. A retirada das tropas israelenses está condicionada ao desarmamento completo de todas as milícias, incluindo o Hamas. Um novo governo tecnocrata, denominado Comitê Nacional para a Administração de Gaza, seria responsável pela governança civil e supervisionaria um processo destinado a “desativar e armazenar armas pesadas, locais de produção militar, depósitos de armas e túneis”.

Além disso, o documento prevê a criação de uma força internacional chamada “Força Internacional de Estabilização” (ISF), que teria como missão garantir a segurança nas áreas deixadas pelos israelenses. Essa força também seria encarregada de treinar novas forças policiais palestinas e apoiar a entrega de ajuda humanitária à população local.

Atual situação em Gaza

Desde o anúncio do plano por Trump, Israel diminuiu a intensidade dos ataques em Gaza. As autoridades israelenses afirmam que suas ações militares agora se concentram apenas em ameaças imediatas e não incluem mais assassinatos seletivos. No entanto, apesar da trégua declarada em outubro de 2025, ataques aéreos quase diários continuaram, resultando na morte de mais de 1.200 palestinos, segundo fontes locais — muitos deles civis.

Durante esse período, quatro soldados israelenses foram mortos por militantes do Hamas. Israel justifica seus ataques como uma resposta às ameaças enfrentadas por suas forças ou na tentativa de eliminar militantes envolvidos nos ataques do Hamas em 2023, que iniciaram o conflito atual.

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Preparações para a Força Internacional

Com as forças israelenses mantendo controle sobre mais da metade do território gazense — área ampliada para cerca de dois terços — eles demoliram edifícios remanescentes e destruíram túneis utilizados pelo Hamas. Quase toda a população de Gaza, composta por cerca de 2 milhões de habitantes, vive restrita em uma estreita faixa sob domínio do grupo armado; muitos estão abrigados em tendas improvisadas ou edifícios danificados.

Enquanto isso, o Conselho de Paz estabeleceu uma base logística perto da passagem de Kerem Shalom com Israel, preparando – se para enviar as tropas da ISF quando necessário. No entanto, diplomatas indicam que essa mobilização pode levar meses. Até agora, apenas Marrocos e Uganda se comprometeram a enviar tropas; Kosovo, Albânia e Cazaquistão ofereceram apoio técnico e médico.

Reações ao plano proposto

No último domingo (9), autoridades israelenses consideraram o novo plano inaceitável nas condições atuais. Apesar disso, afirmaram estar discutindo detalhes com Washington. Eles reforçaram que não irão retirar suas forças até que o desarmamento seja concluído.

O Conselho de Paz publicou posteriormente um comunicado na rede social X estipulando que o grupo deveria entregar armas leves antes da retirada israelense total. Nickolay Mladenov, enviado do Conselho para Gaza, confirmou que as etapas seriam realizadas em fases: sempre que uma área fosse considerada livre de armamentos — com armamentos armazenados e inutilizados — Israel teria que se retirar progressivamente até alcançar uma retirada completa.

Por outro lado, o Hamas declarou estar vinculado apenas ao texto original do roteiro e contestou os prazos estabelecidos pelo novo plano. De acordo com Mladenov, as negociações continuam abertas e podem resultar em ajustes no cronograma.

Autor(a):

Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.

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