Trump assina ordem que reduz vacinas infantis e desafia leis estaduais sobre imunização

Na última segunda – feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que propõe a redução das vacinas infantis de rotina e orienta o Departamento de Justiça a contestar leis estaduais sobre vacinação. A medida foi rapidamente rejeitada por médicos e fabricantes de vacinas.
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O documento visa um objetivo antigo do secretário de Saúde e reafirma uma reformulação do calendário de vacinação que havia sido suspensa anteriormente por um tribunal federal.
A ordem executiva reflete as alegações de Robert F. Kennedy Jr., que sugere uma ligação entre vacinas e autismo, uma afirmação que contraria décadas de estudos científicos que não encontram relação entre os dois fatores. Além disso, os benefícios da imunização contra doenças graves são amplamente reconhecidos.
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O que diz a ordem executiva?
A determinação recomenda a imunização universal de crianças contra 11 doenças, como sarampo, poliomielite, tétano e coqueluche. Isso contrasta com as 18 vacinas recomendadas pelo CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA até o final de 2024.
As vacinas excluídas da lista universal incluem aquelas contra Covid-19, gripe, rotavírus, hepatite A, hepatite B, meningite bacteriana e VSR. Essas vacinas agora serão classificadas como “grupos ou populações de alto risco”, recomendadas apenas para crianças em situações específicas ou na categoria de “tomada de decisão clínica compartilhada”, que requer consulta médica.
Outra mudança significativa é a recomendação para dividir as vacinas combinadas, como a MMR (sarampo, caxumba e rubéola), em doses individuais e distribuí – las ao longo de visitas separadas a profissionais de saúde.
Impactos para famílias e sistema jurídico
As famílias ainda poderão solicitar vacinas agora classificadas na categoria de “tomada de decisão clínica compartilhada”. A ordem não afeta o programa “Vaccines for Children”, que oferece imunizantes gratuitos para famílias sem condições financeiras.
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O governo espera que seguradoras privadas continuem cobrindo essas vacinas; empresas como Blue Cross Blue Shield e CVS já afirmaram que manterão a cobertura das vacinas infantis recomendadas pelo CDC sem coparticipação.
No entanto, as novas diretrizes podem trazer custos indiretos para as famílias. A divisão das doses entre consultas médicas distintas pode resultar em mais visitas ao médico e despesas adicionais. Pediatras alertam que mensagens confusas do governo podem levar alguns pais a adiar ou deixar de aplicar as vacinas nos filhos.
Além disso, algumas mudanças não poderão ser implementadas imediatamente. A divisão da vacina MMR não é viável atualmente porque nenhuma empresa comercializa versões licenciadas isoladas contra sarampo, caxumba ou rubéola nos EUA. Autoridades disseram que trabalharão com os fabricantes para encontrar uma solução em até 90 dias.
Reações das associações médicas
Organizações médicas expressaram forte oposição à nova ordem. A Academia Americana de Pediatria afirmou que essa mudança causará confusão entre os pais e atrasará a vacinação das crianças. A entidade reiterou que não há evidências científicas comprovando qualquer relação entre vacinas e autismo.
A proposta de substituição da vacina MMR por versões isoladas poderia levar cerca de dez anos para ser totalmente implementada. Grupos como a IDSA (Sociedade de Doenças Infecciosas da América) e a NFID (Fundação Nacional de Doenças Infecciosas) alertaram que essa medida poderá expor mais crianças a doenças e mortes evitáveis.
A ciência por trás do cronograma
Os especialistas em saúde pública desenvolvem um cronograma levando em consideração como as doenças se disseminam, quem adoece e em quais idades isso ocorre. Isso é crucial para proteger as crianças nos momentos mais adequados. Por isso, muitas imunizações são feitas nos primeiros 12 a 18 meses de vida.
A Academia Americana de Pediatria destaca que o cronograma atual está alinhado com os momentos de maior eficácia das vacinas e o período mais vulnerável das crianças. Além disso, administrar múltiplas vacinas simultaneamente não compromete o sistema imunológico infantil.
Os calendários variam globalmente devido a diferenças nas ameaças sanitárias, demografia e sistemas de distribuição. Atualmente, o cronograma dos EUA inclui 18 doenças, enquanto países comparáveis têm uma média perto de 14; Coreia do Sul e Brasil também apresentam 18 doenças no total.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.



