“Achei que seria dinheiro fácil”, diz trader que perdeu R$ 25 mil em 85 operações num dia

Fábio F., cliente da Clear, contou ao InfoMoney na Casa Clear 2026 que aumentar contratos e depositar mais dinheiro para recuperar perdas transformou o day.

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Fábio F., trader e cliente da Clear Corretora – Foto: Casa Clear 2026 | Foto: Bruno Nadai

Um trader realizou 85 operações em um único pregão e terminou o dia com prejuízo de R$ 25 mil. O resultado veio de uma sequência de decisões tomadas na tentativa de recuperar perdas, com mais contratos negociados e mais dinheiro depositado na corretora.

No day trade, a busca por reverter o saldo negativo acabou se sobrepondo à estratégia.

O caso faz parte da trajetória de Fábio F., trader e cliente da Clear Corretora. Ele contou ao InfoMoney, durante a Casa Clear 2026, como a expectativa de ganhos rápidos e a dificuldade de interromper as operações comprometeram suas decisões no mercado.

Como a ideia de lucro fácil levou ao lote maior

Antes de entender os riscos do day trade, Fábio já calculava quanto poderia ganhar. Essa expectativa o levou a começar a operar sem o preparo necessário para avaliar as consequências de suas escolhas. “Achei que seria um mercado de dinheiro fácil”, recorda.

Aos poucos, a possibilidade de ampliar ganhos com mais contratos passou a orientar suas decisões. Em vez de considerar também o tamanho das perdas possíveis, ele olhava apenas para o que ganharia com um lote maior. “Falei: ‘Então vou encher a mão’. Foi aí que me comprometi”, admite.

Por que a recuperação de perdas virou armadilha

Antes do pregão em que perdeu R$ 25 mil, Fábio já tinha revertido perdas expressivas aumentando o número de contratos. Em um dia, chegou a acumular R$ 17 mil negativos pela manhã e recuperou o resultado à tarde. “Teve um dia em que, pela manhã, eu estava com um loss de aproximadamente R$ 17 mil. À tarde, aumentei a quantidade de contratos e reverti esses R$ 17 mil”, conta.

Em outra ocasião, a situação se repetiu. “Em outra ocasião, fiquei entre R$ 12 mil e R$ 15 mil no negativo e, à tarde, deu certo”, relembra. Essas experiências reforçaram a impressão de que bastava aumentar a exposição para corrigir o saldo. “Pensei: ‘Qualquer coisa, aumento o lote e reverto o loss’”, revela.

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Quando voltou a ter prejuízos, Fábio repetiu a estratégia. Depositou mais dinheiro na corretora e passou a operar com 50 a 100 contratos. Nesse processo, a preocupação com o resultado passou a substituir os critérios que deveriam guiar suas entradas. “Você esquece o operacional, esquece a análise, esquece tudo. É o famoso dia de fúria”, descreve.

Desta vez, porém, a recuperação não aconteceu. Em uma sucessão de entradas, Fábio realizou 85 operações e encerrou o pregão com prejuízo de R$ 25 mil. “Para mim, foi muito frustrante perder até R$ 25 mil em um dia”, relata.

Erros operacionais e a reação às cores dos candles

Segundo Fábio, o prejuízo não veio de uma volatilidade inesperada. Ele atribui a perda a erros operacionais agravados pela dificuldade de parar. À medida que o saldo piorava, a preocupação com o dinheiro passou a atrapalhar sua análise. “Foi um erro operacional, porque chega um momento em que você vê a boleta ficando negativa e começa a não analisar mais o mercado como deveria”, reconhece.

A perda de disciplina também apareceu na forma de interpretar o gráfico. Em vez de seguir os critérios da estratégia, ele passou a reagir às cores das barras. “O seu operacional vai por água abaixo. Você fica focado somente na cor do candle: verde, eu compro; vermelho, eu vendo”, observa.

Na tentativa de recuperar dinheiro, cada oscilação provocava uma reação quase automática. “Chega ao ponto de você olhar para a tela e ficar pensando: ‘Vai subir, vai descer’. E aí: ‘Eu compro, eu vendo’”, relata. Ao perceber o que tinha feito, Fábio se assustou. “Nossa, o que eu fiz?”, reproduz.

Depois do episódio, ele decidiu buscar orientação e rever o tamanho das posições. Também passou a observar operadores que obtinham resultados melhores com menos contratos. “Já vi conhecidos do mercado fazendo muito mais dinheiro com menos contratos do que eu, que operava com vários”, compara.

Mentoria e foco no Fibonacci com mini-índice

Ao tentar reorganizar as operações, Fábio se deparou com a variedade de técnicas do day trade. Ainda em fase de aprendizado, percebeu que precisava de um método mais simples e adequado à sua rotina. “Eu precisava de um operacional fácil, porque vi que o day trade não é tão simples. Tem várias técnicas, mas o gráfico é o mesmo para todos”, conta.

A indicação de conhecidos o levou a Robert Machado, analista CNPI-T da Clear Corretora. Ele fez uma mentoria com o analista depois de participar do ChurrasKyn. O objetivo era uma estratégia aplicável com clareza, sem acumular métodos diferentes. “Falei até com meus conhecidos: ‘Preciso de um operacional simples, mas funcional’. Foi aí que me indicaram o Robert”, explica.

Nesse processo, Fábio passou a concentrar a análise no Fibonacci, ferramenta de análise técnica usada para identificar possíveis regiões de suporte, resistência e objetivos de preço. Segundo ele, o recurso se tornou fundamental em suas operações com mini-índice. “O Fibonacci é uma ferramenta crucial e fundamental, pelo menos no meu operacional, que hoje é focado no mini-índice”, pontua.

A mudança também envolveu reduzir a exposição ao risco e esperar oportunidades alinhadas à estratégia. Para ele, operar com menos contratos tem trazido resultados melhores. “Dei uns 10, 15 passos para trás e hoje, com muito menos contratos, faço um valor muito maior do que antes, quando operava com uma quantidade enorme de contratos”, afirma.

Psicanalista orienta planejamento e checklist antes do pregão

Além de simplificar a estratégia, Fábio percebeu que precisava olhar mais para o próprio comportamento. Durante a Casa Clear, uma conversa individual com a psicanalista Marci Delgado reforçou essa preocupação. “Depois, tive uma sessão particular com ela. E o que ela falou para mim? É o meu emocional”, conta.

Uma das orientações foi planejar o pregão antes de começar a operar, com critérios claros para as decisões. Fábio citou a recomendação de usar um checklist. “Ela me deu algumas dicas: quando você for operar, faça seu checklist, defina seus operacionais, o que vai fazer e como vai fazer”, relata.

A conversa também tratou da importância de respeitar as etapas do aprendizado, sem buscar atalhos. “Tudo é um processo. Você precisa seguir as etapas, do 1 até o 10”, recorda. Para Fábio, o equilíbrio emocional pesa nas decisões dentro e fora do mercado. “O controle emocional e o psicológico ajudam muito em qualquer tomada de decisão”, considera.

Uma comparação feita pela psicanalista chamou sua atenção: perder uma oportunidade de entrada seria como ver um ônibus partir. Em vez de correr atrás, o melhor seria esperar o próximo. “Se você não conseguir a primeira operação, vai conseguir a segunda, porque o ônibus vai vir de novo. Você vai ter outra operação”, relata.

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