Tirzepatida e outras canetas de GLP-1 fazem glúteo perder volume: dermatologista explica o motivo

Segundo a dermatologista Ingrid Campos, a perda rápida de gordura e massa magra deixa o contorno mais baixo e plano.

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Magnific | Foto: Reprodução/Jovem Pan
Magnific | Foto: Reprodução/Jovem Pan

Pacientes que emagreceram com tirzepatida e outros agonistas de GLP-1 passaram a relatar uma queixa nova: o glúteo perdeu volume mais depressa do que a pele consegue acompanhar. A dermatologista Ingrid Campos (CRM SP 185549 | RQE 99112) diz que ouve esse relato com frequência no consultório.

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O fenômeno já ganhou nomes na imprensa, como Ozempic butt e, com a tirzepatida, bumbum Mounjaro. Segundo a médica, não se trata de um efeito exclusivo de uma marca. Ele aparece quando a região perde volume rápido demais, já que o contorno depende ao mesmo tempo de coxins de gordura, músculo e pele capaz de retrair.

Por que o contorno do glúteo desaparece

O glúteo não é feito só de gordura. A projeção e a firmeza vêm dos músculos glúteo máximo, médio e mínimo, além da camada de gordura subcutânea que os recobre. As canetas reduzem o apetite e o consumo de calorias, e o corpo passa a queimar reservas de gordura.

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Ao mesmo tempo, perde também massa magra.

Na prática, a gordura glútea some sem que a pessoa consiga escolher de onde. Se o músculo não recebe proteína e treino de força, encolhe e deixa de sustentar o contorno. A pele, por sua vez, não retrai no mesmo ritmo, e o resultado costuma ser um glúteo mais baixo e plano, com prega acentuada na transição com a coxa.

Um levantamento publicado em 2026 na Dermatologic Surgery mostrou que clínicos de estética colocam a flacidez corporal entre as mudanças mais ligadas ao uso de GLP-1, ao lado da perda de volume na face. A queixa de perda de volume glúteo apareceu em cerca de um terço das respostas.

O que a dermatologia faz antes de qualquer aplicação

Para a médica, o contorno precisa de uma base antes de qualquer procedimento. Ingestão proteica adequada, na faixa de 1,6 g a 2,2 g por quilo de peso ajustado, junto com treino resistido para os glúteos máximo, médio e mínimo, reduz a perda de massa magra e, em muitos casos, recupera parte do que se perdeu.

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Sem isso, o procedimento corrige a superfície e deixa o problema estrutural como está.

Quando a queixa envolve qualidade da pele, sustentação e reposição moderada de volume, o consultório pode usar duas famílias de produtos biocompatíveis, absorvíveis e reversíveis com o tempo. Os bioestimuladores de colágeno aumentam densidade e firmeza e recompõem o contorno aos poucos.

O ácido hialurônico corporal devolve projeção mais rápido, o que ajuda quando o esvaziamento dos coxins incomoda mais.

Os dois podem ser combinados, em sessões espaçadas, de acordo com o grau de flacidez, a espessura da pele e a quantidade de músculo que ainda sustenta a região. Esses tratamentos, porém, não substituem o lifting cirúrgico nem a musculação. Em flacidez leve a moderada e com expectativa realista, a prega suaviza, a pele fica menos crepe e a projeção volta sem aspecto de implante.

A médica afirma que pacientes que se sentiam envergonhadas depois de um emagrecimento celebrado costumam relatar melhora da autoestima, algo que, na sua avaliação, pesa tanto quanto o antes e depois. Na temporada de verão, quando o corpo volta a ficar exposto, esse é o pedido mais frequente das pacientes.

Limites do tratamento e o que deve ficar de fora

Há limites claros. Excesso importante de pele, após perdas muito grandes, pode exigir avaliação cirúrgica. Prometer um “bumbum de volta” com uma única sessão, segundo a dermatologista, é publicidade e não medicina.

O PMMA, polimetilmetacrilato, ainda aparece como atalho. Ele não é biocompatível e está associado a granulomas e quadros inflamatórios de difícil manejo, inclusive anos depois da aplicação. Para a médica, esse risco não justifica o uso.

As canetas seguem sendo um avanço real para diabetes e obesidade, e a flacidez glútea não anula esse ganho. Ainda assim, o caso mostra que emagrecer bem vai além da queda no número da balança. Proteína, força e tempo de adaptação da pele deveriam entrar na conversa já no dia da prescrição.

Quando o contorno perde volume, a dermatologia oferece bioestimulação de colágeno e ácido hialurônico corporal, indicados de forma individual e aplicados por profissional treinado.

A Redação Política reúne a cobertura do Clique Fatos sobre governo, Congresso, eleições e Justiça. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].

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