Testemunha do caso Atibaia assinou contrato de mansão em Brasília ligada a lobista, diz jornal

Segundo O Globo, dentista assinou o aluguel do imóvel no Lago Sul, mas a negociação foi conduzida pela lobista Roberta Luchsinger.

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Alex Silva/Estadão Conteúdo

O contrato de locação de uma mansão em Brasília envolveu nomes ligados à política e ao empresariado, com um detalhe que chamou a atenção da imprensa nesta sexta-feira (21).

Segundo a coluna de Malu Gaspar, no O Globo, quem assinou o documento foi o dentista Rafael Nicolau Arbex, embora as tratativas do aluguel tenham sido conduzidas pela lobista Roberta Luchsinger.

Detalhes sobre o imóvel no Lago Sul

A propriedade é uma grande residência localizada dentro de condomínio fechado no bairro do Lago Sul. Os detalhes da locação apontam que ela possui mais de 2 mil metros quadrados e teria um valor mensal estimado em R$ 28 mil, segundo informações colhidas pela jornalista Bela Megale.

A imobiliária TRK confirmou ao jornal que Rafael Arbex assinou o contrato como inquilino em 2024; depois disso, as tratativas passaram a ser feitas diretamente com o proprietário.

O dono do imóvel recusou-se terminantemente a comentar qualquer detalhe sobre o caso na reportagem jornalística. Ele alegou um acordo de sigilo com os envolvidos na negociação.

Histórico político dos nomes ligados

Rafael Nicolau Arbex não é um nome desconhecido na política: ele foi testemunha de defesa de Fernando Bittar na Operação Lava Jato, no processo sobre o sítio de Atibaia (SP).

O dentista conhece Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e é primo da esposa de Fernando Bittar. Em 2018 ele chegou a depor na 13ª Vara Federal de Curitiba.

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No depoimento, Arbex falou sobre o uso do sítio. O processo terminou com a condenação de Lula em 2019, anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.

Uso do imóvel gera escrutínio

O uso dessa mansão tem sido alvo constante de investigação pela imprensa. Ex-funcionários da lobista Roberta Luchsinger relataram à coluna Malu Gaspar detalhes diferentes: segundo eles, a residência não funcionava como uma casa fixa para moradia.

Em vez disso, funcionaria como base discreta para reuniões; segundo ex-funcionárias, Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Roberta Luchsinger frequentavam o local cerca de duas vezes por mês.

Um dos encontros teria contado também com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe do gabinete pessoal do presidente.

O jornal também apontou pagamentos de R$ 249 mil da lobista para despesas pessoais do ex-assessor, incluindo joias de quase R$ 10 mil.

Posicionamentos das defesas

Diante da matéria sobre aluguel luxuoso na mansão, as partes envolvidas emitiram declarações. A defesa de Lulinha negou qualquer irregularidade: o advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que Fábio Luís nunca morou no imóvel e rejeitou sua participação em encontros intermediados por Roberta Luchsinger.

Ainda assim, a própria imobiliária TRK informou à reportagem jornalística apenas os fatos contratuais iniciais envolvendo Arbex como locatário em 2024. O proprietário manteve silêncio sobre a transação, alegando sigilo contratual.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

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