Termelétricas: Manifesto Urge Leilão para Evitar Apagões e Custos Bilionários

Manifesto Defende Contratação de Termelétricas no Leilão de Reserva de Capacidade
Em meio a crescente preocupação com a estabilidade do sistema elétrico brasileiro, a Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (ABGT) e especialistas do setor emitiram um manifesto nesta terça-feira (19 de maio de 2026). O documento defende a realização do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, um mecanismo considerado essencial para evitar apagões e racionamentos.
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A estimativa é que, sem o certame, o país poderia enfrentar custos de até R$ 970 bilhões nos próximos 15 anos.
O manifesto, assinado por figuras como o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, o economista Luiz Carlos Ciocchi, o ex-presidente da Reive Barros e representantes da ABGT, argumenta que o leilão garante a segurança energética do Sistema Interligado Nacional (SIN), seguindo critérios técnicos estabelecidos pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
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Segundo os especialistas, a probabilidade de perda de carga do sistema deve permanecer abaixo de 5%, assegurando a estabilidade 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Críticas e Questionamentos ao Leilão
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) expressou preocupações sobre possíveis irregularidades na modelagem do leilão, apontando para o aumento dos preços-teto das usinas poucos dias antes da disputa. A entidade questiona se o leilão é apenas para atender horários de pico de consumo ou se visa garantir a confiabilidade do sistema em todas as horas.
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O documento cita os blecautes de 2023 no Brasil e na Península Ibérica em 2025 como exemplos de vulnerabilidade do sistema.
O Papel das Baterias e a Defesa das Termelétricas
O manifesto também rebate críticas de grupos ligados às energias renováveis, que defendem a substituição das termelétricas por sistemas de armazenamento em baterias. Os especialistas argumentam que, embora as baterias tenham um papel a desempenhar na matriz elétrica brasileira, sua confiabilidade operacional ainda não é suficiente para substituir as termelétricas e hidrelétricas na função de segurança do sistema.
Além disso, questionam a experiência consolidada no Brasil com baterias utilizando tecnologia GFM (Grid Forming Control) e a incerteza sobre seu desempenho e interação com a rede elétrica nacional.
Custos e Prejuízos Potenciais
A disputa em torno do LRCap envolve também o custo do leilão para os consumidores. A Fiesp e outras entidades críticas afirmam que os preços-teto das térmicas dobraram em 72 horas antes da disputa, podendo gerar receitas de R$ 515,7 bilhões para as empresas vencedoras e custos totais de mais de R$ 800 bilhões aos consumidores.
O manifesto rebate esses argumentos, defendendo que a análise ignora os custos evitados com blecautes e racionamentos, que poderiam chegar a R$ 970 bilhões se o leilão não fosse realizado.
Avanços e Decisões Judiciais
Diante da pressão judicial e regulatória sobre o leilão, o diretor da Aneel, Mosna, anunciou a convocação de uma reunião extraordinária para analisar a adjudicação do caso. A homologação dos resultados, que estava marcada para a reunião colegiada desta terça-feira, foi adiada para aguardar manifestação judicial na ação da Abraenergias.
A Aneel mantém suspensa a homologação do certame, enquanto o Ministério de Minas e Energia nega irregularidades e afirma que o leilão foi acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



