Tarcísio, Michelle e agora Tereza Cristina: quem já virou alvo dos bolsonaristas por não se alinhar
O ex-presidente Jair Bolsonaro e os filhos não costumam tolerar suspeitas de traição, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) virou o mais novo alvo dessa ofensiva. Ela anunciou a intenção de disputar a presidência do Senado em fevereiro, cargo também cobiçado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A disputa interna da oposição ameaça dividir o grupo justamente em uma votação considerada estratégica. Por isso, Jair Bolsonaro já pediu autorização ao STF para conversar pessoalmente com os dois.
Ataques vêm desde a eleição presidencial
A prática de intimidar quem não parece priorizar o interesse da família não é nova. Quando estava no Palácio do Planalto, Bolsonaro demitiu ministros que, na avaliação dele, não seguiam fielmente as ordens e a cartilha do clã. A família também nunca aceitou que aliados tentassem voo próprio, e só aceita alguma sombra com autorização prévia.
Antes da eleição, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro liderou uma ofensiva contra o deputado federal Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que, segundo o Zero Três, não estariam empenhados na campanha de Flávio Bolsonaro. O Zero Um chegou à frente no primeiro turno, mas perdeu a disputa para Lula no segundo, com vantagem de 4,4 milhões de votos.
O resultado não reduziu o ímpeto dos filhos de Bolsonaro nem da ala radical que atua a serviço deles. Os ataques continuaram contra quem não se mostra 100% alinhado ao grupo.
Tarcísio foi o primeiro alvo após a derrota
O primeiro atacado foi o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas. Ele reconheceu a vitória de Lula, algo que Flávio Bolsonaro ainda não fez, e disse que pode ser candidato à Presidência em 2030, caso termine a gestão bem avaliado.
Tereza Cristina passa a ser alvo dos radicais
Nas redes, setores do bolsonarismo passaram a acusar Tereza Cristina de atrapalhar a oposição e, indiretamente, de facilitar a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao cargo. A senadora foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro.
Marinho precisou se manifestar para conter os ataques contra a colega. “A senadora Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata”, afirmou.
Os dois têm um acordo: quem tiver mais chances de vitória segue na disputa, e o outro deixa o páreo para apoiá-lo. A fritura de Tereza pelos radicais aparece como um dos fatores que podem romper esse pacto.
Presidência do Senado tem poder sobre processos sensíveis
O cargo está entre os mais poderosos da República. Quem ocupa a presidência do Senado pode pautar pedidos de impeachment de ministros do Supremo e projetos que reduzam penas e livrem da prisão condenados por tentativa de golpe de Estado.
Sentenciado a mais de 27 anos de cadeia, Jair Bolsonaro sabe disso. Ele não quer ver divisão em uma votação estratégica, justamente o efeito que a intimidação praticada pelo grupo tem alimentado.
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Redação Política
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