Tensão no Oriente Médio: Paquistão recebe Irã e EUA; o que impede a paz?

Tensão no Oriente Médio: Paquistão Prepara Negociações entre Irã e EUA
O Paquistão está se preparando para receber delegações do Irã e dos Estados Unidos nesta sexta-feira, com negociações previstas para o dia seguinte. Contudo, o cenário é de grande instabilidade, especialmente após ataques que resultaram em mais de 300 mortes na quarta-feira (8) e que ameaçam qualquer acordo de cessar-fogo.
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Em outra frente de conflito, um alto funcionário dos EUA indicou que Israel e o Líbano deverão conversar na próxima semana em Washington. Os bombardeios israelenses, iniciados no final de fevereiro no Oriente Médio, complicam a participação do Irã nas reuniões mediadas pelo Paquistão.
Divergências sobre o Cessar-Fogo e Posições Oficiais
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, criticou o cenário, afirmando na quinta-feira (9) que o descumprimento de compromissos por Israel “torna as negociações inúteis”. Ele reforçou o apoio iraquiano aos libaneses, declarando que o país “jamais abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”.
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Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, enfatizou que qualquer acordo de paz depende do respeito dos Estados Unidos aos compromissos de cessar-fogo em todas as áreas, com foco especial no Líbano. Desde o anúncio de trégua entre EUA e Irã na terça-feira (7), surgiram dúvidas sobre a aplicação dessa pausa no Líbano, onde Israel alega mirar no Hezbollah, grupo pró-iraniano.
Pontos de Conflito nas Negociações
O Paquistão, atuando como mediador, garantiu que a trégua se aplicava “em todos os lugares, inclusive no Líbano”, posição negada por israelenses e estadunidenses. As hostilidades persistem, mesmo com a possibilidade de diálogo entre Israel e Líbano em Washington.
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Na noite passada, o Exército israelense anunciou ataques a “postos de lançamento” de mísseis do Hezbollah, enquanto o grupo reivindicou ataques com drones e foguetes contra Israel.
As negociações de sábado contarão com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, liderando a delegação de Washington, que também inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner. Apesar do otimismo reportado pela NBC News, a agência iraniana Tasnim, citando uma fonte anônima, suspendeu as negociações caso os EUA não cumpram o cessar-fogo no Líbano e Israel mantenha os ataques.
Principais Obstáculos para um Acordo de Paz
Mesmo que as partes se reúnam, há divergências cruciais que dificultam um consenso. Um dos pontos centrais é a cobrança de uma taxa pelo Estreito de Ormuz, vital para o transporte de petróleo e gás, algo que o Irã busca em moedas diferentes do dólar, mas que a União Europeia e países do Golfo consideram inadmissível.
Outra questão é a inclusão do Líbano no cessar-fogo, algo que o Irã exige devido aos ataques israelenses contra o Hezbollah, mas que EUA e Israel discordam. Além disso, o programa nuclear iraniano permanece em pauta. EUA e Israel exigem que Teerã não desenvolva armas atômicas e entregue o urânio enriquecido, embora o Irã tenha sinalizado que essa oferta não está mais disponível.
Situação Militar e Reações Internacionais
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, comunicou que a República Islâmica não deseja guerra com EUA e Israel, mas defenderá seus direitos nacionais, segundo a televisão estatal. A Arábia Saudita relatou que ataques iranianos recentes causaram mortes e interromperam a produção de petróleo, visando instalações de energia e petroquímicas em Riad e Yanbu.
Esforços de contenção estão em curso no Golfo, com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, visitando Catar, Bahrein e Arábia Saudita. Trump estaria pressionando Israel para reduzir operações no Líbano, pedindo a Benjamin Netanyahu que mantenha um perfil discreto.
Em Beirute, Israel emitiu nova ordem de evacuação devido a bombardeios iminentes, enquanto forças israelenses avançam para cercar Bint Jbeil.
Preocupações Humanitárias e Apelos por Moderação
As preocupações humanitárias aumentam, com hospitais no Líbano atendendo centenas de pacientes e abrigando milhares de deslocados. Netanyahu, por sua vez, afirmou que Israel continuará atacando o Hezbollah “onde for necessário”.
A comunidade internacional tem pressionado por moderação. O chefe da OMS pediu a Israel que suspenda ameaças de evacuação em hospitais de Beirute, e o ministro das Relações Exteriores do Canadá pediu que Israel respeite a integridade territorial do Líbano.
Em Teerã, manifestações ocorreram em memória do falecido líder supremo, Ali Khamenei, e do ex-ministro Kamal Kharrazi, falecido por ferimentos em ataque israelense.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



