Telas na primeira infância podem comprometer o desenvolvimento neuropsicomotor

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que o uso excessivo de telas na infância pode prejudicar habilidades essenciais para o desenvolvimento infantil.

26/08/2026 00:53

3 min

Em 2025, a Lei nº 15.100 passou a restringir o uso de celulares nas escolas públicas e privadas durante aulas, recreios e intervalos, excetuando-se situações pedagógicas justificadas
Em 2025, a Lei nº 15.100 passou a restringir o uso de celulares ...

A Sociedade Brasileira de Pediatria atualizou suas diretrizes sobre o uso saudável de telas, tecnologias e mídias nas escolas em 2026. A especialista em alfabetização, Raquel Nazário, alerta que o uso excessivo da tecnologia pode prejudicar experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil.

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Nos últimos anos, a ampliação do acesso à internet trouxe novas oportunidades educacionais, mas também desafios para o desenvolvimento neuropsicomotor das crianças. As recomendações sobre a exposição a telas evoluíram nas últimas décadas e no Brasil são sustentadas por legislações como o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) e a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), além da Resolução nº 245/2024 do Conanda, que estabelece princípios de proteção integral em ambientes digitais.

Novas políticas para a educação digital

No cenário educacional brasileiro, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas foi instituída em 2023 com foco na digitalização das escolas, promovendo equidade e segurança digital. Em 2025, uma nova norma começou a restringir o uso de celulares nas escolas públicas e privadas durante as aulas e os intervalos, exceto em situações pedagógicas justificadas.

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A Sociedade Brasileira de Pediatria enfatiza que a primeira infância é um período crítico caracterizado por intensa plasticidade cerebral. Nesse estágio, as interações sociais são essenciais para o desenvolvimento de habilidades como linguagem e autorregulação.

A gestora educacional Raquel Nazário reforça que a presença excessiva das telas pode comprometer esse processo: “Quando a tela ocupa o espaço da brincadeira livre e da interação, a criança perde experiências cruciais”, afirma.

Além disso, estudos indicam que o tempo excessivo diante das telas pode levar ao pior desempenho no desenvolvimento neuropsicomotor e prejuízos nas funções executivas. A OMS recomenda evitar o uso de telas antes dos dois anos e limitar a uma hora diária entre dois e cinco anos, diretrizes também apoiadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Impacto das tecnologias no aprendizado

No contexto escolar, o uso intencional de recursos digitais pode contribuir para a aprendizagem e letramento digital durante a idade escolar e adolescência. Contudo, revisões sistemáticas associam o uso excessivo às questões emocionais como depressão e ansiedade, aumento do sedentarismo e distúrbios do sono.

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Raquel Nazário destaca que quando as crianças se acostumam apenas com estímulos rápidos proporcionados pelas telas, há riscos para seu desenvolvimento cognitivo: “O uso desmedido pode afetar atenção, memória e até mesmo a capacidade emocional”.

A especialista aponta que interagir é fundamental para desenvolver habilidades como vocabulário e empatia durante os primeiros anos da vida.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda limitar o uso de telas nas creches e berçários apenas para situações pedagógicas específicas. Já no ensino fundamental e médio, as tecnologias devem ser utilizadas com propósitos pedagógicos claros, evitando – se distrações recreativas durante o horário escolar.

Papel da família e escola na mediação do uso tecnológico

Para garantir um desenvolvimento saudável das crianças frente ao uso das tecnologias, é essencial que escolas e famílias atuem em conjunto. Raquel Nazário afirma que ambos precisam organizar rotinas onde as tecnologias tenham seu espaço sem substituir atividades fundamentais da infância: “É preciso garantir tempo para brincar, conversar e participar de atividades ao ar livre”, sugere.

A escola deve oferecer experiências lúdicas que favoreçam a autonomia e criatividade dos alunos. Por outro lado, cabe às famílias acompanhar os conteúdos consumidos pelas crianças e promover momentos de interação offline. “A questão não é demonizar as telas; é saber integrá – las à vida das crianças sem comprometer seu desenvolvimento”, conclui.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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