Remédios emagrecedores do Paraguai expõem saúde pública brasileira a riscos graves

A comercialização de remédios emagrecedores ilegais do Paraguai expõe a saúde pública brasileira a riscos alarmantes. As autoridades de segurança e fiscalização destacam que o foco desses produtos está no lucro, alimentando o crime organizado, enquanto a saúde dos usuários fica em segundo plano.
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Especialistas alertam que o uso indiscriminado dessas substâncias não regulamentadas pode levar a sérias complicações, como pancreatite, hepatites, hipoglicemia severa e até morte, conforme informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Esses medicamentos chegam ao Brasil sem qualquer tipo de refrigeração, essencial para manter sua qualidade.
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A situação se complica ainda mais com novas marcas surgindo no mercado paraguaio e um hiato legal permitindo a importação de pequenas quantidades para uso pessoal. Isso impulsiona usuários a buscarem produtos como o T 36, uma das tirzepatidas mais recentes do Paraguai.
Aumento do contrabando
Dados da Receita Federal revelam um aumento alarmante nas apreensões de emagrecedores ilegais nas fronteiras brasileiras. Em 2026, o valor do contrabando ultrapassou R 47,3 milhões, representando um crescimento impressionante de 20 vezes em apenas um ano.
Essa prática é considerada um crime contra a saúde pública e pode resultar em penas que variam de 10 a 15 anos de prisão.
O único medicamento à base de tirzepatida regularizado no Brasil deve ser transportado sob refrigeração entre 2° e 8°. O descumprimento dessa norma pode comprometer sua eficácia. Especialistas indicam que temperaturas inadequadas podem alterar o pH do remédio e prejudicar sua ação no emagrecimento ou no tratamento da diabetes tipo 2.
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Apesar das orientações sobre conservação adequada, há relatos sobre a possibilidade perigosa de ativar os medicamentos com frio, uma informação distorcida disseminada por contrabandistas.
Riscos associados ao uso
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia enfatiza que não há comprovação científica da eficácia e segurança dos remédios importados ilegalmente. A falta de controle sobre os produtos pode colocar os usuários em risco significativo. Segundo a médica Clarissa Rios, é possível que as doses contidas nos frascos não correspondam às indicadas, levando a consequências graves como pancreatite e alterações glicêmicas severas.
Além disso, um estudo realizado pelo Centro de Informações e Assistência Toxicológicas da Unicamp (CIATox) revelou que as ampolas trazidas do Paraguai podem conter substâncias não identificadas ou contaminantes. Embora tenham sido detectados princípios ativos nos frascos analisados, faltaram testes para verificar impurezas ou degradação dos produtos.
Legislação e fiscalização
A prescrição da tirzepatida paraguaia por médicos brasileiros é considerada ilegal pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O conselho destaca que não é ético ou legal prescrever medicamentos sem registro na Anvisa. Enquanto isso, um hiato regulatório permite que algumas importações pessoais sejam feitas sem restrições claras.
Recentemente, Anvisa e Dinavisa assinaram um Memorando de Entendimento para intensificar a cooperação entre as autoridades sanitárias dos dois países. Embora essa parceria possa fortalecer ações preventivas contra produtos falsificados e circulação irregular, especialistas questionam se os padrões exigidos pela Dinavisa são adequados quando comparados aos da Anvisa.
A crescente produção paraguaia supera o consumo interno local e continua atraindo compradores brasileiros. A situação exige atenção redobrada das autoridades para garantir a segurança da saúde pública frente à circulação desses medicamentos não regulamentados.
Autor(a):
Bianca Lemos
Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.



